A Igreja Católica Alemã tem muito dinheiro – como é o caso da Diocese de Colônia, que pode ser mais rica do que o Vaticano

BERLIM (RNS) Uma banheira de 20 mil dólares e armários de 482.000 dólares encomendados pelo Bispo Franz Peter Tebartz van Elst de Limburg, recém-suspenso, escandalizaram o público alemão.
Mas Tebartz van Elst, de 52 anos, constitui apenas o clérigo alemão mais recente a envolver-se em problemas desde que o Papa Francisco assumiu o comando da Igreja Católica. Francisco suspendeu temporariamente o bispo, na quarta-feira, enquanto uma comissão da Igreja investiga os gastos de 42 milhões de dólares em torno do complexo residencial.

Enquanto o novo pontífice tenta reformar a maneira como a Igreja conduz os negócios, diz-se que as dioceses da Alemanha que incluem a Diocese de Colônia como sua região mais rica, enfrentam conflitos com a nova direção, com o aumento do número de membros que continuam a deixar a Igreja.

“Tebartz van Elst é apens um ´iceberg´”, disse Christian Weisner, porta-voz da secção alemã do Movimento Internacional We are Church, organização que luta pela reforma da Igreja Católica. “Há um verdadeiro choque de culturas entre os atuais cardeais e bispos da Alemanha – nomeados por Joã Paulo II ou por Bento XVI – e o Papa Francisco.”

Desde que se tornou papa, Francisco vem seguidamente urgindo a Igreja a despojar-se de toda “vaidade, arrogância e orgulho” e a servir humildemente os mais pobres da sociedade. Para Francisco, padres que vivem no luxo não são simplesmente incovenientes, mas constituem um escândalo.”

Ainda assim, mesmo diante do fato de que Francisco circula em torno da Cidade do Vaticano num carro Renault com vinte anos de uso, presenteado por um padre italiano, o chefe da Conferência Episcopal da Alemanha, o Arcebispo Robert Zollitsch, rejeitou a idéia de desistir de seu BM 740d.
“Para mim esse carro não é um símbolo de “status”, é o escritório que uso, quando viajo”, disse Zollitsch à imprensa, por ocasião de um evento, em inícios de outubro, quando indagado sobre se iria trocá-lo por outro mais simples.

Na Alemanha, a maioria dos funcionários eclesiásticos dirige Mercedes BMW de alta potência.
Outros membros do clero alemão foram punidos por altas despesas. O Cardeal Reinhard Marx, da Arquidiocese de Munique, gastou em torno de 11 milhóes de dólares (USA) na reforma da residência do arcebispado, e outros 13 mihões por uma casa de hóspedes, em Roma.

Mesmo assim, para os católicos alemães, esses casos de luxo empalidecem, se comparados ao caso atual do de Tebartz van Elst e a reforma de sua residência em Limburg, que fica perto de Frankfurt. Originalmente, os custos da reforma de dez prédios da propriedade foram estimados em 7.500 dólares, mas findaram por alcançar um custo seis vezes superior àquele montante, por conta de extravagâncias tais como equipamentos luxuosos.

Carsten Frerk, que é um especialista em finanças da Igreja na Alemanha, disse que não constituía qualquer surpresa a relutância dos bispos alemães, de seguirem a nova linha de Francisco.
“A Igreja Católica da Alemanha é uma das mais ricas e das maiores organizações do país, e seus altos funcionários esperam um certo padrão de vida”, disse Frerk, que publicou dois livros sobre a riqueza da Igreja da Alemanha, e o que ele descreve como suas finanças obscuras. “Mas eles estão cautelosos quanto à extensão de sua riqueza, pois está se tornando largamente conhecida, porque isto pode levar à redução de doações.”

Há 23 milhões de católicos alemães, que declararam sua pertença confessional, e, por lei, devem pagar entre 8 e 10% de seus vencimentos às suas respectivas igrejas. Isto perfaz para a Igreja Católica 7,5 bilhões de dólares em taxas recolhidas, em 2012.
Desde o processo de secularização instigado por Napoleão, no começo do século XIX, o Estado também paga às igrejas protestantes e católica um subsídio anual como compensação, que rendeu aos grupos cristãos um total combinado de cerca de 12 milhões de dólares, em 2012.

Mas as 27 dioceses católicas alemãs dispõem de um grande número de ativos como imóveis e títulos. Segundo John Berwick, analista de negócios religiosos para a rádio alemã , aDeutsche Welle, Alemanha, a diocese de Colônia é mais rica do que o Vaticano.

Enquanto isso, o caso de Tebartz van Elst tem atraído os holofotes para o lado sombrio das finanças da Igreja.

Em 2010, 25 das 27 dioceses da Alemanha se recusaram a fornecer ao semanário Der Spiegel informações sobre seus orçamentos e seus bens. Após o escândalo Tebartz van Elst, vários bispados – inclusive Colônia, Hamburgo, Essen e Munique – têm tornado públicos seus números financeiros.

Há vantagens para a riqueza da Igreja alemã. Mathews Schmalz, teólogo e professor no Massachusetts-based College of the Holy Cross, que vive atualmente em Sri-Lanka, disse que sem esses recursos, a Igreja não poderia apoiar projetos em países em vias de desenvolvimento.

E na Alemanha, este é o cerne do problema, dizem os analistas. É importante mostrar às congregações que o clero não é arrogante, não se trata de conselheiros espirituais soberbos que muitos católicos alemães acreditam terem se tornado tais.

Por exemplo, depois que os gastos com reforma vieram a público, circularam petições demandando a renúncia de Tebartz van Elst. Mas este permanececeu em silêncio.

E mesmo quando tomou o avião para uma audiência com o papa, numa condição econômica, em vez de primeira classe, muitos dizem que tal gesto veio um pouco tarde demais.

Agora, fica a questão de até que ponto a igreja tradicional alemã vai acertar o passo com as reformas do Papa Francisco, e se seus esforços poderiam pôr fim à hemorragia de suas fileiras – prevendo-se uma redução dos cristãos a uma minoria na Alemanha, nos próximos vinte anos.

Em 2010, 181.000 deixaram a Igreja, depois que se tornaram públicos os escândalos de abusos sexuais envolvendo padres alemães. Mais 126.000, em 2011, e 118.000, em 2012, seguiram o exemplo.
“Eu acho que esse conflito em torno de Tebartz van Elst, que não está querendo renunciar, será um dos momentos decisivos do futuro caminhar da Igreja Católica”, disse Weisner. “Este é um momento histórico no tempo e uma oportunidade única de renovação.”

(Sumi Somaskanda contribuiu com esta reportagem desde Berlim.)

Trad.: Alder J.F. Calado

4 comentários sobre “A Igreja Católica Alemã tem muito dinheiro – como é o caso da Diocese de Colônia, que pode ser mais rica do que o Vaticano”

  1. Caos Mundial

    Recebi uma mensagem de Internet sobre a atual depravação moral na Alemanha. Criancinhas no início do Ensino Fundamental (6 anos) são forçadas a assistirem aulas nas Escolas sobre todo tipo de relação sexual depravada imaginável, inclusive entre dois homens e duas mulheres. Algumas crianças não suportam desmaiando. Profunda e desumanamente traumatizadas não querem mais ir à Escola. Se ficarem vários dias sem assistirem outras aulas o Governo não se importa. Mas se faltarem a duas aulas de Ideologia do Gênero (educação sexual) os pais são PRESOS durante meses.
    Os pais são forçados a forçarem os filhos irem às aulas de educação sexual. Já um estuprador primário fica solto sem punição. Um aviso aos “navegantes”: eu imprimi a matéria como prova escrita. Mas existem réprobos, cretinos e pérfidos em geral (inclusive pseudo-cristãos) no mundo apoiando tal medida governamental e discordando de que a Humanidade já esteja no seu irreversível destino final, por livre opção, a exemplo de Sodoma e Gomorra, atual região do Mar Morto. Leia sobre isto e outros assuntos de vida ou morte no blog: http://laurohenchen.blogspot.com.br/
    Retransmita aos seus contatos de Internet (e-mail, Twitter, Facebook, etc.). Se tiver constrangimento de retransmiti-lo me informe sua lista de contatos de e-mails (seu e-mail ficará em oculto) que eu farei a sua vez.

  2. Ola,
    Sou membro de uma pequena comunidade aqui em Teresina-Pi, estamos construindo uma Capela católica com poucos recursos a padroeira é Nossa Senhora das Graças,não temos muitos recursos como os alemães mais caso alguém queira fazer uma doação favor entre em contato (86)9994-2020 3231-2023 ou akiam-le@hotmail.com

    Que Deus abençoe a Todos

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