A FIFA que é terrorista, não os movimentos sociais do Brasil

Havelange, Massera, Videla e a Copa da Argentina 78.

Depois de havermos chegado à conquista de nossa democracia através das forças populares, políticas, sociais, humanas e de todas as agremiações agrupadas em Movimentos Sociais que lutaram contra a Ditadura, poderemos agora, por força e exigência da FIFA vir a considerar nossos combatentes sociais agrupados em “Movimentos Brasileiros”, como “TERRORISTAS” e serem eles durante a Copa, submetidos a agentes de segurança de empresas estrangeiras internacionais que serão contratados como seguranças do evento.
Independentemente de nossa soberania e com a complacência servil e submissa de parlamentares, deputados e senadores, serenamente estão achando que o fato de regulamentar a entrega da listagem dos Estatutos e CNPJ´s destas entidades brasileiras aos donos do futebol e por tabela a agências internacionais de inteligência, possivelmente policiais e políticas, este episódio pode ser meramente considerado por eles como apenas de importância relativa e transitória.

Não existe soberania se ela pode ser suspensa por eventos ou fragmentos de transitoriedade, assim como não existe liberdade se a qualquer momento podemos adjetivá-la, manipulá-la, e renunciarmos a ambas apenas pelo belo prazer de fazer uma Copa, enquanto o povo está extasiado pelo evento, um esquecimento das lutas emancipatórias de nossas conquistas de cidadania, será um encontro com a vergonha de nossa história que viemos resgatando.
Isso é coisa das ditaduras.
Não existe excesso de liberdade, não existe liberdade controlada, a não ser nas ditaduras onde o povo é apenas massa de manipulação. A liberdade e a soberania são unívocas, incontestes, não sendo uma Copa que vai nos fazer entregar aos desejos internacionais a informação e o controle de nossos “Movimentos”, como se nossa soberania estivesse à mercê da vontade destes “donos” do futebol.
Levantemos então, quem foram os “terroristas do futebol” quando nos anos das ditaduras Latino-americanas os “cartolas”, Havelange (FIFA), seu genro e alguns vários militares que faziam da seleção brasileira um instrumento do governo ditatorial, vendiam através do futebol eventos como o Mundialito no Uruguai, ou a transferência da Copa de 1978 para o ditador argentino Jorge Rafael Videla, que ia aos jogos enquanto comandava o extermínio de 30.000 vidas escondendo o terrorismo de Estado. Nesses anos eles negociavam para as ditaduras a manipulação dos eventos mundiais para que a consciência de liberdade e democracia ficasse estagnada sob as botas e fuzis do autoritarismo de Estado que ajudaram a esconder.
Será uma vergonha para nós brasileiros entregarmos esta lista de “Movimentos Nacionais” ao controle da FIFA e a empresas de segurança internacionais por força da transitoriedade dessa Copa.
Terrorista é a FIFA, com essa exigência que viola nossa consciência e nossa soberania.
(*) João Vicente Goulart e Diretor Instituto Presidente João Goulart, onde foi publicado o artigo.

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