A educação superior e o governo federal.

Não causa estranheza que o governo federal insista em desconhecer a legitimidade do movimento das docentes e dos docentes universitários. O governo está olhando para outro lado.

Por que um governo que se diz dos trabalhadores, não se ocupa da educação? Estão tão ocupados os governantes com as questões macro, que esquecem das internas? A educação é uma questão de segunda ordem?

O país de Paulo Freire não pensa assim. O grande educador pernambucano, educador do mundo, nos deixou lições que nunca iremos esquecer. Educar é aprender a se ler no mundo, a se saber parte do mundo, um mundo que depende de você, de cada um de nós, de um eu coletivo que se faz a muitas mãos.

Quando um governo desatende a educação superior, está cavando a fossa embaixo dos seus pés. Mas, muito pior do que isto, está cancelando o futuro da sua população, aquela a quem deveria atender. Mormente se é um governo que se apresenta como querendo acabar com a miséria.

Me lembro muito bem da campanha de Dilma. Fiquei emocionado com o seu triunfo, como creio que muitas e muitos neste país. Mas não há pior miséria do que a miséria moral. O pensar que a gente não vale nada, que a gente não pode, que tanto faz isto ou aquilo.

Esse é o cambalacho que temos que evitar a todo custo, para que não tenha sido em vão toda esta longa caminhada brasileira e latino-americana em direção a uma democracia que por enquanto (salvo muito poucas exceções na região) é meramente formal.

A insensibilidade do governo federal diante das legítimas reivindicações do movimento docente em greve, é um alerta. Para onde está indo este governo? Para a direita.

Não em direção às classes populares, não em direção a mais espaços de cidadania e de autonomia, que são criados, mantidos e ampliados pela consciência e pelas práticas coletivas libertadoras, dentre as quais a educação é uma das mais importantes.

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