
‘Pelos olhos do mar’ une duas gerações de grandes cantoras com suas vozes que revelam um DNA que exprime cultura e cidadania.

Por Aquiles Rique Reis / Jornal GGN, 04/02/26 • 07:56
Hoje trataremos de Pelos Olhos do Mar (selo SESCSP), álbum que une duas gerações de grandes cantoras brasileiras, Lia de Itamaracá e Daúde. Somadas a outras vozes especialmente convidadas, tais como Assucena, Biu Baracho, Céu, Ceycyly Fulni-Ô, Dulce Baracho, Isaar, Juliana Linhares, Lígia Fernandes e Otto, a afinidade entre elas vem do fato de Lia e Daúde também cantarem um Brasil que o Brasil desconhece. Abrindo-se à brasilidade, suas vozes revelam um DNA que exprime cultura e cidadania. Suas interpretações vêm não só de suas vozes diferençadas, como também de suas almas, que iluminam um trabalho enérgico e poderoso. Assim, entre cocos e cirandas, elas produziram um documento histórico.
Eis algumas das dez faixas,
“As Negras” (Chico César): com uma batida embalada e vigorosa, coro, palmas e percussão abrem a tampa. Logo as protagonistas vêm plenas. “Santo Antônio da Boa Fortuna” (Emicida): a intro é alegórica. O teclado prolonga o clima, reproduzindo o som de cordas. O ritmo rola gingado. O intermezzo adiciona beleza à oração ao santo. “Florestania” (Russo Passapusso): os sopros se encontram com a percussão, sacudindo a levada, e entregam para Lia e Daúde brilharem. “A Galeria do Amor” (Agnaldo Timóteo): a canção vem com a guitarra com efeitos. Daúde canta e traduz o que Timóteo criou – bela música! O arranjo traz os sopros que arrebatam pela delicadeza – o trompete protagoniza.
“Quem é?” (Maurilio Lopes e Silvinho): a bateria traz à luz o bolero, tão lindo, tão clássico. Lia se atira aos versos com a emoção pulsando nas veias. O trompete com surdina toca o intermezzo, para logo devolver o canto para Lia: impecável! Meu Deus! Pelos Olhos do Mar (Otto): o bolero que dá título ao álbum vem com o trompete. Lia solta a voz e arrasa com sua voz tão intensa quanto ela. O coro vem com vozes abertas. O trompete improvisa com perfeição. Belo final!“Bordado” (Karina Buhr): a linda melodia de Buhr se destaca, com Daúde cantando apenas com a guitarra. Logo o arranjo ganha ritmo. Lia assume o canto. O bolero segue com as cordas originadas no teclado ao fundo. “Se Meu Amor Não Chegar Nesse São João” (Baracho): a batera chama e os sopros vêm quentes. A ciranda açula o ouvinte que se derrama em afabilidades que atestam a beleza do que acabou de ouvir.
E assim, após Lia de Itamaracá e Daúde ratificarem que suas vozes têm poder para entoar qualquer gênero musical brasileiro, o álbum chega ao fim, deixando ressoar a beleza rara da voz de duas cantoras que protagonizaram momentos de pura brasilidade.
Aquiles Rique Reis
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