
Tempos atrás, quando iniciei uma defesa das causas nacionalistas fui alertado por amigos de que a nossa bandeira é internacional. Concordei. Tenho plena consciência de que o grande objetivo é um mundo mais justo e melhor. Mesmo assim, não deixei de entoar e explanar o sentimento nacionalista. Irei explicar.
Por mais que a luta seja internacional, o inicio da caminhada é aqui. O Brasil deve se desenvolver, crescer e se fortalecer, inicialmente. Sem dúvidas, depois disso, nos tornaremos uma forte engrenagem positiva para o mundo. Tivemos um grande avanço nesses últimos anos e servimos parte do mundo com gestos extremamente humanos. A maior prova disso é a gratidão que líderes mundiais, principalmente da América Latina, têm por Lula.
Iniciamos bem, anos atrás, promovendo uma grande luta contra a miséria, ampliando as oportunidades na área da educação e saúde. Obviamente não foi um avanço pleno. O Brasil é um país enorme e dividido em esferas de governo. Por mais que o governo Federal se empenhe, mande verbas, nem sempre os estados e municípios trabalham no mesmo sentido. Conhecer a função e a atuação de cada esfera é de extrema importância. Não dá para reclamar sem verificar a quem deve ser feito a crítica. Infelizmente, para muita gente isso não importa. Usam os erros e a má-fé para direcionar as falhas a quem os interessa.
Todas as negociações feitas com outros partidos, que possuem ideologia diferente ou sequer possuem ideologia, também foram duramente criticadas. Realmente não é fácil aceitar certas alianças. Mas ai eu pergunto, como tocar um país sem apoio na Câmara ou no Senado? Ninguém até então deu uma resposta plausível. Muitas dessas negociações podem ter nos tirado dos trilhos, mas é preciso que alguém sugira caminhos sólidos para mudança, sem fazer esperar os que morrem de fome. Como dizia o sociólogo Betinho: “Quem tem fome tem pressa”. Lula sabia disso. Ele sentiu na pele os dramas de um Brasil desigual.
O financiamento de campanha foi outro ponto bastante criticado. Mas, a grande realidade é que ainda não se vê viabilidade em disputar eleições sem grandes recursos. Foi importante o PT reconhecer o erro. Elaboraram um projeto pelo fim do financiamento privado de campanha, que não contou com o apoio da oposição. E ai, o que fazer nesses casos? Abandonar a busca por recursos e deixar a oposição bem mais forte para os próximos pleitos? O moralismo da classe média nos diz que sim. Mas quem precisa dos projetos sociais ou saiu da miséria por eles, talvez diga que não.
Os tempos foram passando e cada vez mais se viu uma elite angustiada por não conseguir ditar plenamente seus desejos. A artilharia começou a partir de diversas frentes e cada vez mais pesada.
O governo, sempre cauteloso, mantinha uma conduta altamente republicana. E com a forte onda conservadora, foi perdendo opções e voz. O mercado começava a nos engolir. A solução de quem via tudo de fora era simples: guinar à esquerda. Acontece que ninguém que está de fora sente a pressão que é lutar contra grandes empresários, mídia, congresso, senado, mercado, elite e a ignorância da população.
Somente quem está lá, convivendo dia a dia com os tubarões, sabe que qualquer passo contrário pode jogar todo o projeto ao precipício. Dilma timidamente tentou conciliação. Fez um pouco o jogo do lado de lá, abatendo a própria militância.
Neste momento a minha racionalidade me conduziu a 1964. João Goulart sofria pressão da esquerda, enquanto a direita exigia outra direção. Encurralado e praticamente sem saída, optou por seguir os caminhos da esquerda, das reformas, do progresso. Caiu logo em seguida.
Portanto, tudo é muito difícil quando se têm tantos inimigos que não respeitam as regras democráticas, a constituição muito menos o povo.
Agora eu me pergunto: por que eles usam a bandeira do Brasil já que são eles que apoiam os que querem, no momento de colapso, se desfazer do pré sal; se são eles que idolatram os americanos, inclusive escrevem seus desejos de intervenção em inglês; se são eles que não aceitam a diversidade da nossa origem e da nossa cultura; se são eles que entoam e reproduzem as falas de uma mídia que cresceu com um golpe militar, financiado por americanos; se são eles que querem precarizar a situação do nosso trabalhador, pelo bem de um mercado externo; se são eles que lutam para abrir o nosso mercado para grandes corporações transnacionais; se são eles que pedem a cabeça de uma Presidenta honrada e honesta, para entregar o governo na mãos de pessoas corruptas e descompromissadas com o povo; se são eles que, num discurso mais simplista, se preocupam com as viagens à Disney.
Estamos vivendo um momento dramático sim, mas que sem dúvidas foi fomentado pela oposição, mídia e certamente por interesses internacionais. Eles não querem o nosso progresso, querem as nossas cabeças.
E por mais que esteja sendo difícil, precisamos nos apoiar com injeções de ânimo e, como sabiamente disse um amigo, não nos deixar cair na apatia de 1964. É bom lembrarmos cada episódio daquele ano, mas jamais repetir seu roteiro. A orientação é inclusive de cunho psicológico, que ao perceber o teor dos ataques recebidos e o nível das barreiras, podemos ser conduzidos ao esmorecimento.
E antes de tudo, vamos sim as ruas e levantar a bandeira do Brasil. Porque, mais que qualquer um, somos nós quem defendemos com unhas e dentes nosso povo, nossa pátria.
Foto(*): ebc.com.br

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Se houver outro 64, a resistência será imediata . Movimentos sociais e demais setores da sociedade civil não querem que esse filme de horror volte para nós assustar .