A ascensão da direita mundial com Trump e o Brasil

trump fabioPara quem acompanhou a cobertura das eleições presidenciais nos EUA, a vitória de Donald Trump não foi surpresa. Hillary Clinton não subestimou o adversário, e errou em não levá-lo a sério pelo discurso ultra radical. Trump agradou o americano mais nacionalista e conservador. O típico americano que ainda não aprendeu a viver com tolerância aos diferentes. Trump trouxe novamente esse orgulho nacionalista americano duma nação forte, rica e beligerante: nação que pode tudo em todo o mundo.
A vitória do republicano não garantirá o senado forte ao seu lado, já que os democratas garantiram a maioria na casa, o que não aparenta tranquilidade ao seu futuro governo. O partido Republicano está divido em torno do novo presidente. Durante as prévias ele foi mais que desleal, faltou com respeito aos colegas, sua metralhadora falante não perdoou os colegas do partido. Veremos o que será a partir de janeiro a relação com as duas casas.
Trump durante a campanha fez um discurso raivoso, machista, homofóbico e xenófobo. Para quem não está ciente, o partido Republicano tem vínculos fortes com a comunidade hispânica por causa de temas como família e religião. O candidato talvez não imagina que daqui a 50 anos o seu país não terá a maioria da população anglo-saxônica de olhos azuis e pele clara, e o Spain english será a língua não oficial entre a nova geração.
Ainda lembro-me até hoje de quando um famoso sociólogo midiático disse que os EUA passava por transformações sociais, classificadas por ele de América pós racial . Ou seja: elegendo o primeiro presidente negro, os americanos passavam por transformações como nunca tinham visto antes. Como está a cabeça desse sociólogo agora, depois da vitória de um homem chamado incógnita?
Outros grupos políticos que comemoraram foram a extrema direita da Europa. O enfraquecimento das esquerdas europeias e a crise dos refugiados lhes deram fôlego para chegar ao poder com força e programas excludentes e xenófobos. Marine Le Pen, líder da Frente nacional das pesquisas para sucessão presidencial na França, tem como ponto chave da sua campanha o tema imigração. Os que a conhecem dizem que Marine é menos azeda que seu pai, o ultra conservador Jean Marie Le Pen.
Um fato interessante a registrar é a presença das mulheres nesta corrente radical. Frauke Petry, líder do partido AFD na Alemanha, é anti-imigração. Ela também causou polêmica em janeiro, quando defendeu o uso de armas de fogo para impedir que imigrantes entrassem em seu país. Anke Van Dermeersch , eleita Miss Bélgica em 1991, tornou-se senadora pelo partido de extrema-direita Vlaams Belang, em 2003. Ela, por sua vez, se notabilizou por declarações contra o islamismo.
A vitória de Donald Trump pode dar início ao que todos temiam, o radicalismo ideológico muito parecido ao da Europa do início do século XX. O continente latinoamericano, em especial o sulamericano, pode ficar com a barba de molho pois o nosso dia talvez chegará.
O Congresso Nacional é considerado um dos ultra radicais, liderado por três bancadas que formam a bancada BBB (BALA,BÍBLIA E BOI). Os ícones da bancada da moralidade, da família, dos bons costumes e de Deus são: o pastor Marcos Feliciano e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro. O canto da sereia poderá chagar daqui a pouco tempo, mas os alvos serão diferentes. Não pensamos que será semelhante ao estilo norteamericano ou europeu.
Até a vitória de Trump, achava a vitória de Jair Bolsonaro impossível. Depois do dia 09/11 nos EUA, não tenho mais esta mesma ideia. Para mim é real, só falta se concretizar.
(*) Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro.

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