
Ontem, 25/02/2026, finalmente chegou a termo o julgamento pelo STF dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco. Antes tarde do que nunca! Mesmo sabendo que isto não traz de volta Marielle ao nosso convívio. Dada a urgência do que segue acontecendo contra as Mulheres, em situações limite, sentimo-nos instados a juntar nossa voz às de tantas e tantos que também ousam denunciar os horrores patriarcais de que continuam sendo vítimas, cada dia, as Mulheres, no Brasil e no mundo. No caso do Brasil, registram as estatísticas a ocorrência de quatro feminicídios por dia e de 187 casos de violências praticadas contra as Mulheres. Basta de tanta violência!
Nas linhas que seguem, cuidamos de refletir e de problematizar tais ocorrências, examinando brevemente parte expressiva de suas raízes históricas profundamente fincadas na sociedade e nas Igrejas cristãs, trazendo questões incômodas, seja no campo societal seja na esfera eclesiástica. Neste sentido, propomos a nossa reflexão crítica sobre questionamentos tais como:
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Nos serviços caseiros, que testemunho, nós homens, damos no assumir em pé de igualdade os trabalhos caseiros?
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Em nosso cotidiano, como nós, mulheres e homens, educamos nossas filhas e filhos?
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Nas tarefas caseiras, que tarefas lhes confiamos?
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Reproduzimos o comportamento patriarcalista, reservando, somente a elas, às filhas, tarefas como varrer a casa, fazer faxina, cozinhar, lavar roupa, servir a mesa, entre outras? Enquanto poupamos os filhos dessas mesmas tarefas?
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No tocante aos estudos, asseguramos oportunidades iguais aos filhos e filhas?
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Nas escolhas profissionais, são iguais os critérios que recomendamos/sugerimos às filhas e aos filhos, ajudando-as/os em sua livre escolha profissional?
No campo do exercício da memória histórica dos oprimidos
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Tanto nós quanto nossas filhas e filhos temos tido o cuidado de acompanhar criticamente no dia a dia os fatos e acontecimentos principais, no mundo, na América Latina e no Brasil, em busca de uma compreensão mais atenta dos principais desafios que estão em jogo?
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Para nos informarmos sobre tal realidade, nos limitamos a ver/ouvir a televisão, o rádio e os jornais comuns – fontes alimentadas pela classe dominante, ou temos tido o cuidado de acompanhar, também, e sobretudo, canais, blogs, e fontes alternativas à ideologia dominante?
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Temos reservado a cada dia, a cada semana, um tempo de leitura (pessoal ou comunitária) sobre temas relevantes, como condição de formação contínua, capaz de nos ajudar a avançar na compreensão crítica e na intervenção na realidade?
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Temos buscado entender melhor nossas raízes históricas escravagistas e de lutas libertárias travadas por dezenas de movimentos populares, no mundo, na América Latina, no Brasil e no Nordeste?
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Participamos, DE FORMA CONTINUADA, de Grupos ou de Movimentos Populares exercitando nossa resistência e nosso enfrentamento a todo tipo de opressão, de exploração e de marginalização?
Eis apenas algumas indagações, com o propósito de nos engajarmos nesses embates do cotidiano.
João Pessoa, 26 de fevereiro de 2026
Alder Júlio Ferreira Calado
aldercalado@gmail.com
