Manifestação na UFRGS cobra expulsão dos agressores de estudante indígena

2016-03-31_UFRGS-Liebgott-014Na tarde da quinta-feira passada (31), estudantes realizaram na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) um ato contra o racismo, cobrando atitudes da universidade em relação à agressão sofrida pelo estudante indígena Nerlei Kaingang no dia 19 de março. Na ocasião, o estudante foi agredido em frente à Casa do Estudante da UFRGS, onde é cotista e cursa Medicina Veterinária, até perder os sentidos.

“O que esse índio está fazendo aqui? Protestando”, dizia um dos cartazes segurado por uma indígena. A pergunta é uma referência ao insulto recebido por Nerlei quando entrava na Casa do Estudante para encontrar um sobrinho seu que mora lá.

A agressão física que se seguiu aos insultos foi filmada pelas câmeras de segurança da universidade e mostra o indígena sendo espancado por sete rapazes. Segundo testemunhas, todos eles são estudantes, cinco dos quais cursam Engenharia na própria UFRGS.

“Ele está muito constrangido e revoltado. O impacto emocional é bem devastador”, afirmou ao jornal Sul21 o advogado de Nerlei, Onir Araújo, que é membro da Frente de Defesa dos Territórios Quilombolas. “A exigência é bem simples: o afastamento imediato e a expulsão dos estudantes”, explicou Onir.

“Infelizmente, por meio dessa violência é que as pessoas ficaram sabendo que tem indígena na universidade”, lamentou à reportagem do Sul 21 a estudante Kate Lima, do povo Ticuna. Segundo ela, que é coordenadora de Ações Afirmativas do Diretório Central dos Estudantes (DCE), desde 2008, quando foi implantado o Programa Seletivo Indígena, 76 indígenas ingressaram na UFRGS, 52 regularmente, e cinco já se formaram.

Entoando cantos como “Racistas, fascistas não passarão” os manifestantes foram até a reitoria da UFRGS, onde entregaram um documento ao secretário de Assuntos Estudantis da UFRGS antes de seguir para o prédio da Engenharia. No documento entregue à Reitoria, estudantes da UFRGS e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) pedem à universidade federal ações de combate ao racismo institucional e ao preconceito contra os estudantes cotistas e a expulsão dos agressores.

A universidade já instalou uma sindicância interna, em relação à qual os manifestantes cobraram transparência e diversidade em sua composição. Um inquérito também foi aberto pela Polícia Federal para investigar os crimes de tentativa de homicídio e injúria racial.

Após o ato de ontem, outras estudantes indígenas Kaingang têm sofrido insultos racistas, por meio de comentários em páginas das redes sociais. Estudantes indígenas da UFSC, que também costumam enfrentar situações de preconceito e discriminação nas redes, manifestaram-se esta semana por meio de nota, expressando seu apoio ao estudante agredido e denunciando o racismo constante que sofrem na universidade.

Fonte: CIMI
http://cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8639&action=read

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