2017: o ano que só acaba daqui a um ano

Por Emir Sader

A mais profunda e prolongada crise da história brasileira já tem sua própria história. Começou há três anos, quando a oposição aderiu à estratégia golpista, conseguiu desestabilizar o governo Dilma Rousseff e jogou o país no abismo. 2015 e 2016 foram os anos de auge da ação opositora, que capturou a iniciativa, impôs sua agenda ao país e instalou o pior governo que o Brasil já teve.

A diferença de 2017 é que, se ele foi um ano terrível pelo desmonte da Petrobras e do pré-sal, que seguiram adiante, pelo desmonte dos direitos dos trabalhadores, gravemente afetados pela aprovação da reforma trabalhista, pela continuação da escandalosa perseguição a Lula, foi também um ano que mostrou uma virada na opinião pública e no campo da oposição, com o fortalecimento irreversível da candidatura Lula.

Foi o ano das Caravanas – ao Nordeste, a Minas, ao Espírito Santo e ao Rio de Janeiro –, foi o ano da inauguração da transposição do Rio São Francisco, foi o ano dos depoimentos de Lula em Curitiba, com o imenso apoio com que ele contou e com suas intervenções que desmascararam, cara a cara, as mentiras que jogam contra ele.

Foi o ano do começo da virada. Foi o ano em que ficou claro que a agenda nacional tinha mudado. Pela rejeição da opinião pública aos projetos que o governo mandou para o Congresso, pelo aumento constante da popularidade de Lula, ficou claro que a agenda da direita, segundo a qual os governos do PT foram responsáveis pela crise do Brasil, por supostamente ter gasto muitos recursos públicos para promover os direitos da população, e a de que a corrupção do PT é o tema central do país, foi substituída pela justa preocupação da população pelos problemas sociais e pelo que Lula representa.

Ao mesmo tempo, ficou claro para todos que as acusações a Lula não tem nenhuma prova, de que juízes estão dispostos a condená-lo sem nenhuma prova e que se trata da maior perseguição jurídica contra alguém no Brasil. Lula se mostrou de peito aberto, desafiando a todos que provem algo contra ele e teve como resposta a continuidade da perseguição, acompanhada da confissão que o condenam sem provas.

Foi, ao mesmo tempo, o ano em que se consolidou a candidatura Lula, como instrumento fundamental para brecar a ofensiva direitista sobre o país, suas instituições democráticas, os direitos da população, a soberania nacional. Sua candidatura foi se tornando cada vez mais visível para todos, com apoio cada vez maior, ao lado da diminuição consistente da rejeição que a direita tinha construído em base simplesmente a suspeitas.

Enquanto isso, a direita se desesperou e buscou soluções mágicas, conforme seus candidatos tradicionais naufragavam diante das denúncias reais, que desmontaram suas imagens. Bolsonaro, Doria, Huck, uma busca desesperada de candidatos que pudessem minimamente enfrentar Lula. Até se concentrarem na esperança, não menos desesperada, de tentar tirar Lula da disputa no tapetão, sinal da derrota política da direita.

Lula foi enunciando os caminhos da restauração da democracia e da esperança, abraçando e abraçado pelo povo nas Caravanas. A convocação do referendo revogatório foi se alastrando como brasa, conforme o povo via o caminho de derrotar o enorme pacote de maldades do governo, de voltar a ter recursos para as políticas sociais, para a educação, para a habitação. Conforme foi vendo que é possível recuperar a Petrobras o pré-sal, a indústria naval, o emprego, os salários.

O brilho de Lula nos braços do povo foi a imagem mais marcante simbólica do povo. Quem quiser fazer uma retrospectiva do ano, basta percorrer às fotos de Lula em sua página, as fisionomias do povo abraçado a ele, as fisionomias dele abraçado ao povo.

2017, apesar dos avanços do desmonte da direita, foi um ano melhor que 2015 e 2016. A esquerda recuperou a iniciativa, foi ditando a agenda nacional, projetando seu caminho de futuro para o Brasil. É um ano que se projeta sobre 2018, que só terminará com o povo recuperando seu direito inalienável de eleger democraticamente Lula de novo, nos braços do povo, presidente do Brasil.

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