Padre Comblin é anistiado em São Paulo

Extraído de: Ministério da Justiça – 30 de Novembro de 2010

Brasília, 30/11/10 – “A verdade liberta e nós não podemos ter medo de conhecer a verdade. É dever do estado proteger os perseguidos políticos assim como restabelecer a memória e a Justiça”. Foi com estas palavras que o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, concedeu em nome do Estado brasileiro, o perdão oficial pela perseguição política, maus tratos e abusos cometidos ao padre Joseph Comblin no período da Ditadura Militar.

O teólogo belga de 87 anos é uma das vozes que trouxe a Teologia da Libertação para o Brasil e um grande crítico ao conformismo de segmentos conservadores da Igreja. Comblin abandonou a carreira de professor e deixou o país, durante o regime de exceção. Por unanimidade, 16 dos 24 conselheiros da Comissão de Anistia presentes no julgamento, apoiaram o voto de concessão de anistia da relatora do processo, Maria Emília.

Realizada em São Paulo, dia 26 de novembro, a 47ª Caravana da Anistia encerrou um ciclo de atividades que teve início em 2008 e que já percorreu 17 estados e o Distrito Federal. Iniciativa da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, as Caravanas da Anistia resgatam e promovem a reflexão sobre a história dos anos de chumbo no Brasil. Também valorizam o papel da anistia política e a história de luta de diferentes atores sociais perseguidos.

Na oportunidade, a bandeira das liberdades democráticas, símbolo das Caravanas da Anistia, foi apresentada ao público. Por onde passa, é tradição da caravana receber um retalho de tecido contendo uma mensagem, um símbolo ou uma imagem. Este ato representa o compromisso no resgate da memória, consolidação das liberdades democráticas e luta pelos Direitos Humanos.

Por carta, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância do trabalho da Comissão de Anistia. “O trabalho destes profissionais foi incansável, vasto e original e serve não para apagar dores, que sabemos que não se extinguem, mas para declarar que não se admite que o Estado brasileiro cometa crimes contra os direitos humanos”, afirmou.

Emocionado, Paulo Abrão dedicou a última caravana de 2010 ao ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos presente na sessão. Vanucchi deixará a pasta no próximo ano.

Para Abrão, o sucesso dos julgamentos itinerantes é justamente o foco na educação popular, na educação do cidadão. “Mirar o futuro é mirar nossa juventude. Denunciamos as violações do passado e sua conexão com o presente. Trabalhamos para que a lógica da cultura do medo seja combatida. É preciso que os nossos jovens conheçam a história do nosso país e saibam que aqueles que lutaram no passado não estão aposentados. O nosso legado é a busca pela verdade sempre”, destacou. As caravanas já passaram por praças públicas, assentamentos, universidades, sedes de sindicatos e assembléias legislativas.

Na ocasião, foi realizada ainda uma homenagem ao cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e à madre Cristina Dória, diretora do Instituto Sedes Sapientiae, pelos serviços prestados por ambos à causa dos direitos humanos.

Até novembro de 2010, a Comissão de Anistia, criada em 2001 já julgou aproximadamente 60 mil processos em turmas, plenárias e caravanas.

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2488458/padre-comblin-e-anistiado-em-sao-paulo

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