Zona Oeste no Rio: Zona de exclusão

Em tempos de pacificação nas comunidades da Zona Sul e Zona Norte, o Rio de Janeiro aparentemente vive tempos de paz. Mas, parece que outra região da cidade, a Zona Oeste, em 90 % de sua área, os moradores dessas localidades devem perder a esperança de instalação de uma futura UPP (Unidade Pacificadora Policial). Por quê? Não atende os interesses políticos e financeiros das elites dominantes ainda influentes em todo país.
Há um ano, duas comunidades (Vila Aliança eVila Kennedy), estão em pé de guerra. Mais de 50 pessoas já morreram e a presença da polícia não tem sido eficaz. Os tiroteios têm sido constantes… O nosso governador e o secretário de segurança fazem ouvidos de mercadores. Até quando outras mortes terão de acontecer para que esses homens tenham a sensibilade de tomar alguma providência? Depois dos Jogos Olímpicos? Ou quando alguém mais importante, talvez mais próximo aos políticos, seja vítima dessa onda de violência que assola a região? Digno de destaque é o aumento da criminalidade em toda Zona Oeste.
É bom destacar que na época da ocupação do Complexo do Alemão, a jornalista da CBN, Lúcia Hipólito, indagou ao secretário de segurança, José Beltrame, sob a possibilidade de instalação de uma Unidade Pacificadora na Zona Oeste (abrangendo os bairros de Bangu,Vila Kennedy e Campo Grande). E estranhamente o secretário disse que essa mesma localidade já estava sob controle e não haveria necessidade de UPP. Vale lembrar, ao que se refere a Campo Grande, por exemplo, que as milícias têm forte poder e sua atuação no campo político é bem conhecida. Suspeita-se que nas duas últimas eleições o grupo armado conseguiu eleger dois políticos. Para quem não sabe, as milícias são grupos formados por policiais, na ativa ou não, bombeiros e guardas de presídios, prometendo uma suposta segurança.
Mas,voltando ao assunto. As comunidades de Vila Kennedy e Vila Aliança são uma síntese de como o Estado brasileiro trata esses moradores.  São conjuntos habitacionais sem nenhuma estrutura, onde o ser humano não tem uma vida digna com qualidade. Pelo contrário, jogam esses moradores como se fossem farrapos, deixam brotar o descaso e quando a bomba explode o mesmo Estado apresenta-se com suas armas e repressão. O Estado é perverso.
Tenhamos esperança que um dia possa surgir um Zé do Caroço, para acordar a comunidade, já refletia a compositora e cantora Leci Brandão.
Os moradores dessas comunidades em geral têm de acordar, deixar de ser coadjuvante e virar protagonistas de suas histórias. Começar a ter um olhar crítico e atuante.
Uma unidade pacificadora nessa região com certeza deixaria os moradores mais tranquilos, porém a alegria de pobre dura pouco. Uma UPP, quem sabe somente após as Olimpíadas ou quando mais mortos tombarem pelas vielas abandonadas ou quando alguém mais importante amigo de um político sofrer na pele o que morador passa em seu dia-a-dia.
(*) Fabio nogueira é Coordenador de pré-vestibular comunitário, militante da  Educafro e ex –morador de  Vila Aliança.

3 comentários sobre “Zona Oeste no Rio: Zona de exclusão”

  1. Acabei de conversa com um professor,e acreditem:o próprio acrdita que háverá um UPP,na região da zona oeste.
    Tem pessoa que acreditam em Papai Noel.

  2. QUERO UPP NA COMUNIDADE DO ROLLA E EM ANTARES, ESSE GOVERNADOR ESQUECEU QUE EXISTE A ZONA OESTE QUE QUE AQUI TEM GENTE QUE VOTA!!!!! CADE A PACIFICAÇÃO NAS COMUNIDADES DE SANTA CRUZ, MEU VOTO NEM ELE NEM O CANDITATO DELE VAI LEVAR, SÃO POLÍTICOS DA ZONA SUL SÓ PENSAM NAQUELA REGIÃO EU NÃO AGUENTO MAIS, ESTOU CANSADO…..ACORDEM MORADORES DA ZONA OESTE VAMOS FAZER UM ABAIXO ASSINADO PEDINDO A REALIZAÇÃO DE UPPS PARA NOSSA REGIÃO…..ACORDEM…

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