Valor de/do Mercado

Mercado é um local conhecido por todos como um ambiente de troca, negociação e vendas, dos mais variados produtos que servem para suprimento das necessidades dos seus consumidores. Desde os primórdios, o mercado faz parte das sociedades. A “evolução” se deu a partir da passagem do feudalismo, que se baseava na troca e pequenas moedas que garantiam o valor pago posteriormente pelos seus alimentos e produtos, para uma economia que visava o lucro e a expansão do domínio.
Neste século a ideia de compra e venda permanece, mas ultrapassa a fronteira comercial e financeira, em quase todos os casos é uma figura que define caráter e posição social. Vender ou comprar é status e porta de entrada para um mundo chamado “Sociedade”, como se todos nós não tivéssemos nascido em uma. Mudamos os sentidos das coisas, alteramos nossa forma de viver e nos definimos pelo que temos e não pelo que somos. Ser é meio estável, o legal é ter, assim posso trocar sempre que eu quiser. Adeus identidade.
Atualmente o mercado é uma imposição política do capitalismo que engloba diversos setores governamentais com objetivo de criar uma ideia de inserção em um mundo privado, de poucos. Todos querem “pertencer” ao mercado, ele é imaginário assim como o desejo. Toma forma quando eu decido tornar real a minha necessidade, troco os meus sonhos pelos os que mercado vende. Eu compro. O mercado parece legal. Oferece de tudo um pouco: do lixo ao luxo, parece democrático. Afinal, ele está na minha imaginação, no meu desejo. Eu comprei a ideia, o mercado parece interessante, me dá supostas opções: Mercado de trabalho, mercado tecnológico, universitário, turístico, do esporte. O Mercado parece um coração de mãe: sempre cabe mais um (trouxa). Sim, é assim que chamam aqueles que sonham em entrar para o mercado imaginário.
O mercado trabalha com interesses do capital e como dizem: O capital não tem moral. Mas eu tenho! A moral nada mais é do que os princípios básicos do caráter de um indivíduo, a moral diz para nós o que é certo e errado, e aprendemos. Exercer a moral é uma tarefa difícil, nós como sociedade nascemos dentro desse mercado, ele é grande, mundial, imperial. Sair dele seria viver em uma caverna isolada no meio do nada. O mercado virou gente, ele domina, julga, manda, mata e destrói tudo que for contrário a ele. Ele não influencia, ele te dá opções. E ai, de você que não escolha dentre as oferecidas. Qualquer coisa fora do mercado é crime! Está escrito nas constituições. Não tente burlar as leis do mercado, ele prepara homens e mulheres para protegê-los nos tribunais de justiça, afinal o mercado é justo! Ele também é religião. Acredita-se que cura e liberta, depósito de ilusões. Fé cega, faca amolada!
Venham todos, ao grande mercado de pulgas! Mercado, mercado, mercado.
Acordei às 07h00 e utilizei o mercado do transporte público, cheguei ao mercado de trabalho, almocei no mercado de comida, comprei alimentos no mercado. À noite vou ao mercado universitário aprender Jornalismo para, enfim, tentar me inserir no MERCADO.
(*) Eloisa Anacleto é estudante de jornalismo.
 

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