Vai saber, né

De vez em quando, vale olhar pros lados e ver o que temos em volta de nós. De você. De mim. As coisas. E quantas coisas inúteis.

Aquecedores, lava-aquilo, lava-isso, milhões de toalhas, potes, papéis, suportes, mais suportes. Se pensarmos bem, com alguma profundidade, de nada disso precisamos. Mas estamos acostumados a tê-los. A comprar. A achar “bonitinho” e levar, pra possuirmos. Pra nos padronizarmos, na confusão que é a cidade. Confusão no vai-e-vem, no não-saber-porquê, no não-pensar. No barulho que é na verdade silêncio da razão.

É estranho pensar, olhando em volta, como temos tantas coisas e nem percebemos. Precisamos, agora, de tudo? Conseguiremos nos livrar do que não precisamos? Ao mesmo tempo, não podemos supostamente, simplesmente, jogar fora?

E de tanto pensar, podemos perder a noção do que é ter a noção do perder. Isso porque temos, e não sabemos bem porquê. E perdemos, então, a razão, em meio a tantas coisas inúteis.

Lembro que a segunda versão do Quarto em Arles (ao lado) foi feita por seu autor, Van Gogh, enquanto estava internado no hospício de Saint-Rémy-de-Provence. Eu não sei bem porquê lembrei disso, mas este quarto passa a impressão de tranquilidade que parecia ser o oposto do que ele vivia.

Mas vai saber, né. Nós sempre achamos que estamos lúcidos, até que a lucidez se apresenta na nossa frente e pede passagem, com a sutileza de sempre.

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