1. Criou-se amplo clima para o golpe de Estado. Mídia e oposição de direita unidas. O “povo” foi atrás, achando estar na crista da onda.
2. Temer assume e efetivamente acaba com a corrupção: acabando com investigação, não tem mais corrupção. O nome da novela: “Anos FHC”. Ou ainda “Brasil: Nunca mais”.
3. Eduardo Cunha será, possivelmente, jogado aos leões: se for útil sua cassação, será cassado para mostrar que o Brasil “não poupa ninguém”. Os velhos corruptos voltam ao poder sem esse fardo que não sabe roubar decentemente. Ou Cunha fica quieto e é ‘sumido’ da mídia. Ambas serão boas para ‘todos’: governo e o próprio Cunha, que já cumpriu seu papel e será devidamente recompensando.
4. Alguns ministros do STF e setores da PF e do MPF tentarão mostrar que aqui não é bagunça e sairão à caça de mais corruptos. Nada, evidentemente, coberto tão intensamente pela mídia como os pedalinhos do Lula. A visibilidade de uma eventual tentativa do tipo será substituída, digamos, pelas Olimpíadas ou pelo campeonato brasileiro.
5. Pronto: fim da corrupção! Ninguém apura e a mídia finge que não vê os “delizes” dos nossos bons corruptos, que colocarão o Brasil no “rumo certo”: ataque às leis trabalhistas, aos sindicatos, à oposição de um modo geral (agora com a máquina) e aos direitos humanos de um modo geral.
Um script financiado pelo nosso valoroso sistema oligárquico que nos joga, dia após dia, de volta ao século XX e, por vezes, o XIX. E que o governo atual não teve coragem de enfrentar.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
