Ainda é tempo para desejar que, em 2012, algumas coisas se realizem ou, ao menos, sejam debatidas, corrigidas e avancem ao longo do ano – sejam os pedidos concebíveis na prática ou não, dada a conjuntura (e histórico) do país.
Que, neste ano, o governo atue menos para as câmeras da TV, em prol de interesses partidários e eleitoreiros, e mais para a população.
Que ações de prevenção e contingência de desastres ambientais, tanto na serra Fluminense, quanto nas áreas de exploração e produção de petróleo e gás, sejam postas em prática.
Que os programas sociais sejam menos assistencialistas e mais inclusivos.
Que, em vez de apenas receberem computadores e tablets em nome do marketing político, as escolas e universidades ganhem mais vagas para alunos e aumentem seu efetivo de professores.
Que os salários destes últimos, bem como de bombeiros, policiais e médicos, passem para um patamar aceitável e digno de seu ofício.
Que os salários dos políticos não sejam incrementados bem acima da inflação, como de costume.
Que alguma lei desautorize os políticos a aumentarem seus próprios salários.
Que os crimes de colarinho branco sejam, de fato, punidos.
Que o CNJ não perca o poder de investigar efetivamente os juízes.
Que a política de segurança pública não se limite à repressão violenta aos pobres e negros brasileiros.
Que a forma de atuação da PM seja totalmente reformulada.
Que o sistema penitenciário do país não continue a funcionar como fábrica de criminosos.
Que a população não se deixe iludir por operações fantásticas de apreensão de drogas, prisão e eliminação de traficantes e “supostos” criminosos, as quais não fazem mais do que enxugar gelo.
Que os autos de infração não sirvam para acobertar atos criminosos de policiais desonestos.
Que a política antidrogas não se confunda com política de segurança pública.
Que – em vez de apenas traficantes peixes-pequenos, favelados e com apelidos cinematográficos – autoridades e políticos do alto-escalão responsáveis pela entrada de drogas e armas no país sejam presos.
Que algum político com mandato vigente tenha coragem de discutir questões como aborto e legalização da maconha e/ou descriminalização de usuários.
Que o deputado Marcelo Freixo siga firme em sua empreitada contra as milícias.
Que a população se dê conta de que reeleger um governo exclusivamente em função de uma política de segurança, ou por estar assustada com notícias sobre violência, é dar força para quem está no governo fomentando e organizando o crime.
Que o filho do Jader Barbalho sofra bullying na escola pelas caretas que fez para o povo brasileiro ao lado de seu pai ficha-suja.
Que a Lei da Ficha Limpa comece a servir para, de fato, barrar os corruptos do Congresso Nacional e assembleias legislativas.
Que a Lei da Palmada e projetos de lei alterando o nome de logradouros públicos e determinando novos dias em homenagem a profissionais, bem como condecorações a “fulano” ou “beltrano” não contem pontos para os deputados autores.
Que os impostos brasileiros sejam reduzidos e valham o dinheiro investido pelo contribuinte.
Que o país ganhe mais do que puxadinhos para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Que as estradas brasileiras ganhem menos pedágios e mais manutenção.
Que se invista mais em transportes alternativos e intermodalidade.
Que sejam investigadas as máfias das cooperativas de ônibus, táxis e vans país afora.
Que se investiguem os bicheiros e suas relações escusas com as autoridades.
Que os usuários do metrô e da Supervia não mais apanhem dos seguranças, e que as concessionárias deem seu jeito para haver vagões de mais e agentes trogloditas de menos.
Que a região da Amazônia Legal não siga em processo de “faroestização”.
Que o agronegócio não siga se sobrepondo ao ponto de vista ambiental em (quase) todas as discussões.
Que as pessoas desliguem, quando possível, seus celulares e ipods, e pensem um pouco mais no outro, inclusive na fauna e na flora.
Que a intolerância ao diferente, seja em que contexto for, não ganhe novos adeptos, e que o fascismo não predomine em momentos de dificuldade econômica, em que sempre se buscam bodes expiatórios – geralmente os “estranhos” ou, simplesmente, o “outro”.
Que o deputado Jair Bolsonaro, enfim, revele qual é o seu trauma de infância.
Que o José Sarney revele o segredo de sua imortalidade.
Que o Ricardo Teixeira, no mínimo, peça uma errata para a entrevista concedida à Piauí e que o Romário siga enchendo o seu saco.
Que o Sérgio Cabral peça desculpas ao jovem do Complexo do Alemão a quem chamou de otário.
Que o Tiririca aprenda a ler.
Que, após curar-se do câncer, o Lula volte a ser um pouco mais humilde.
Que a Cidade da Música, no Rio, fique pronta e todo o dinheiro roubado durante sua construção seja devolvido, e os culpados, presos.
Que os processos referentes aos mensalões não deem em pizza.
Que o BBB 12 não seja a principal pauta do dia.
Que, ao final deste ano, o brasileiro se lembre…

Talvez se o ser humano começasse olhando p/ dentro de si e procurando melhorar, as coisas externas tb melhorassem. Mas se as pessoas não conseguem nem se mudar, como vão mudar qualquer outra coisa?!