UFRJ sedia Semana Nacional de Comunicação Ambiental

Desenvolvimento sustentável, comunicação ambiental, crise ecológica, consciência e educação para a sustentabilidade. Esses foram alguns dos assuntos tratados na primeira mesa de debate da 2ª Semana Nacional de Comunicação Ambiental, que acontece na Escola de Comunicação da UFRJ. Entre os convidados, marcaram presença a jornalista Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social do jornal O Globo, Sérgio Ricardo, subsecretário de Meio Ambiente de Nova Iguaçu e o jornalista da agência de notícias O Eco, Felipe Lobo.

Para eles, a iniciativa é importante e espelha o desenvolvimento que a área ambiental tem tido nos últimos anos. Amélia chegou ao campus da UFRJ e ficou surpresa ao abordar estudantes na tentativa de encontrar o Auditório Moniz Aragão, onde estão sendo realizados os debates. “Nenhum deles sabia do evento. O desinteresse pelo assunto ainda é grande. Nós estamos em um bom momento para a discussão ambiental, para divulgar atividades relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Hoje mesmo saíram notícias relacionadas ao tema na capa de dois jornais de grande circulação. O contexto é propício e a ex-ministra Marina Silva tem contribuído para isso. A preocupação com o tema no meio corporativo aumentou muito, mas mesmo diante disso tudo é preciso principalmente conscientizar os cidadãos. Por isso que esse tipo de evento é bem vindo, para tornar público o debate e puxar a reflexão”.

Felipe Lobo também vê no evento uma importante contribuição para a educação ambiental. “Quando eu me formei, há três anos, esse tipo de debate ainda não era muito estimulado. É fundamental que o meio ambiente esteja nas pautas. A difusão desse tipo de conhecimento em escolas e universidades forma novos cidadãos que levam os preceitos ambientais para suas vidas.”

Pelo debate acalorado da primeira mesa, já é possível antever como transcorrerá o restante da programação. Para Sérgio Ricardo falta ao jornalismo ambiental um enfoque mais humano, que aborde as conseqüências sociais e econômicas dos desastres ecológicos. Segundo o ambientalista, há uma luta que não é retratada na grande mídia. “Para uma boa cobertura a mídia deve se preocupar com os três fatores que formam o tripé da sustentabilidade: o ecológico, o econômico e o social. Ter cadernos como o Razão Social é um avanço, mas a boa informação ambiental não pode se restringir aos espaços especializados.” Já para a editora do Razão Social a mentalidade do público deve mudar e uma verdadeira mudança de paradigma só ocorrerá a partir da educação individual e da conscientização para uma vida sustentável. “Eu concordo que a mídia tem produzido coisas muito ruins, mas boa parte do problema está na falta de formação. E o leitor também é passivo ao não exigir informação de qualidade nessa área. A responsabilidade é de todos.”

Todos concordaram, por fim, que a semente já foi plantada e ações voltadas à proteção do planeta começam a germinar. Iasmine Pereira, bolsista do PET, acredita que a segunda edição da semana de comunicação ambiental é uma prova disso. “Tivemos dificuldades na organização, nem todos os profissionais convidados se disponibilizaram a participar, mas ainda assim conseguimos montar uma programação super interessante, pois temos cada vez mais pessoas especializadas e preocupadas com a formação de uma consciência socioambiental”. O resultado pode ser conferido no segundo dia de atividades da Semana, que começa amanhã com um café da manhã ambientalmente correto.

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