Tristeza nos ataques suicidas em Bruxelas que ocorreram no dia 22 de março de 2016, na manhã européia. Número de vítimas, locais, motivos, até existem, mas são imprecisos. Certo é que já se tem mais ou menos três dezenas de mortos e a centena de vitimas. Os atentados suicidas promovidos pelo Estado Islâmico (EI) ocorreram no metro, na estação de Maelbeek (perto da localização dos representantes da União Européia) e na área de embarque do Aeroporto Internacional de Zaventem, Bruxelas. Ao todo foram contabilizados pelo menos três explosões. Em uma explosão no aeroporto feriu ex-pivô de basquete, Sebastien Bellin, brasileiro.
Embora seja recente a associação da Bélgica com as demandas terroristas o governo local vem ao longo dos anos se preocupando com a série de células jihadistas, que passam pelos espectros violentos do EI e da Al Qaeda, que espalhando em meio ao populoso e pauperizado bairro de Molenbeek-Sant-Jean, em Bruxelas. No bairro pelo numero de pessoas torna-se mais fácil manter o anonimato. Nele, se prendeu sete suspeitos dos atentados de Paris ao Bataclã no ano passado. Por isso, desde a semana passada a policia belga vinha fazendo varreduras no bairro e nas suas redondezas a procura de mais suspeitos do atentado a capital francesa. Pelo histórico a polícia local costuma chamar o bairro de Molembeek de ‘ninho de terroristas’, porque, nele atuam tais células jihadistas espalhadas em meio á pobreza e a densa população de origem árabe. Parte de seus moradores chegaram á participar de conflitos árabes, como o da Síria e do Iraque, até, porque, que cerca de 80% de sua população têm origem no Norte da África. Contudo, mesmo assim, é preferível a cautela ainda no vinculo dos habitantes do bairro com os atentados.
A alocação de bairros de imigrantes junto as células jihadistas colocam constantemente em risco a União Européia (UE). Pior para os cidadãos em pleno direito dos principais da UE, pois geograficamente a cidade de Bruxelas é próxima as grandes potências do continente o que é amplificado pela locomoção rápida com preço baixo. Por exemplo, pode-se chegar de trem (TGV) em duas horas a Paris (França), três horas a Berlim (Alemanha), com o preço de um dia de trabalho precário. Isso sem falar da rapidez, e do baixo custo das passagens aéreas. Agora, pensando na ação dos suicidas do EI, a certeza é de que o ódio que gerou suas ações faz lembrar o local das religiões, nos quais, prioritariamente deveriam se servidoras da promoção (mesmo que utópica) de uma vida melhor, como o Hans Kung1 aponta. Claro, isso foi devidamente apagado pela pragmática expansão colonizadora da civilização européia: quando mediante as suas revoluções liberais e industriais os levaram a rasgar o mapa africano e asiático em prol das matérias primas e da caças a novos mercados para seus produtos.2 Sangraram a África e a Ásia unindo inimigos, fazendo acordos, matando e decepando os reinos. Assim, hoje, alguns dos filhos, filhas, netos e netas dos moradores de suas colônias promoveram uma tragédia no norte Europeu. Claro, não se deve celebrar a violência, até porque, ela acaba justificando sua reação virulenta.
Contudo, diga-se a verdade. Essa é apenas uma ponta do iceberg da violência, na qual, por décadas a Europa patrocinou nas colônias. Por assim, tomo a liberdade, de adaptar para os dias atuais a analogia de Marx quando tratou a repetição dos Bonaparte no poder francês (Napoleão e Luís) “Primeiro como tragédia, depois como farsa”3. Se essa analogia pode-se ser implicada ante a violenta da tragédia da manhã em Bruxelas, quais seriam as farsas que se vem sendo construídas? Ou, quais são as falseações que têm sido produzidas? 1) Assim, já foi dito, que o jihardismo e o fundamentalismo são o problema atravessado pelos europeus: mentira! Porque, os fundamentalistas são usados o tempo todo por eles para intervenções políticas nas suas ex-colônias. 2) Se disse que os bolsões de pobres seriam os verdadeiros culpados: outra mentira! Os pobres, para os setores abastardos europeus, formam uma reserva de mercado assumindo os subempregos desprezados no continente. 3) Também, afirmou-se que o verdadeiro problema seriam os imigrantes africanos e asiáticos não-civilizados: outra grandíssima mentira! Da mesma forma que os pobres sua maioria assumem trabalhos que europeus não atuam. Enfim, todos esses discursos mentirosos sobrepostos fazem parte de pequenos conglomerados de mentiras momentâneas que disfarçam a maior farsa da humanidade: a “civilização burgo-capitalista Ocidental”. Ela sim é a maior de todas as violências que alimenta tragédia após tragédia o “trem suicida que ruma ao abismo”4 – conforme explora a metáfora benjaminiana referindo-se a civilização capitalista Ocidental.
1 Hans Kung, “Por uma teologia ecumênica das religiões”, Concilium, Petropolis, n.156, 1986, p.124-134.
2 Frantz Fannon, Peles negras mascaras brancas, Salvador: EDUFBA, 2008.
3 O filosofo Slavoj Zizek tece aplicações a partir das atuações americanas a partir de 2001, no seu: Primeiro como tragédia, depois como farsa, São Paulo: Boitempo Editorial, 2008.
4 Walter Benjamin, As teses sobre o conceito de história
Fontes de internet:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/03/aeroporto-de-bruxela-na-belgica-registra-explosoes.html;
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2016/03/22/aeroporto-de-bruxelas-na-belgica-e-fechado-apos-explosoes.htm;
http://www.lemonde.fr/europe/live/2016/03/22/en-direct-double-explosion-a-l-aeroport-principal-de-bruxelles_4887504_3214.html;
