Tomara que eu esteja errado sobre a Internet

(iStockphoto.com)
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Eu pretendo me debruçar sobre as teses elitistas que apontam a internet como o santuário da estupidez. Eu adoraria, como de fato já fiz há alguns anos no mestrado, dizer que está tudo errado; que são ricaços pessimistas; e que a democracia é difícil mesmo, deixa todo mundo falar nessa grande catarse coletiva. Mas me pergunto: será mesmo? E até que ponto?

Tenho observado grupos de universitários de 20 e poucos anos, jovens que seriam supostamente mais bem informados, que teriam supostamente mais recursos e informações para o debate, ou que no mínimo entendem o aprendizado como um processo em que você ouve mais do que fala.

O que temos agora é um conjunto inacreditavelmente grande de pessoas que só sabem repetir frases feitas e títulos expostos nas redes sociais; pessoas que leem cada vez menos textos longos; e que não conseguem conectar temas distintos, se limitando a eternos binarismos repetidos ao infinito, até que percam completamente o sentido lógico.

Não se trata, repito, de comentaristas trogloditas dos portais de notícias: estes dos quais falo são os chamados “quadros” da República, pessoas que pouco se importam com a checagem de fatos simples – e checar fatos é obrigação de qualquer estudante, pesquisador ou produtor de informação.

Minha impressão como professor foi aumentando ao observar nas redes sociais “debates” sobre temas simples, temas que são objeto de discussão das salas de aula o tempo todo, que são superficiais até, e que mesmo em locais de pouca reflexão, como a imprensa e o Wikipédia, estão melhor representados do que na confusa cabeça de grande parte desses debatedores.

Tomara que eu esteja errado. Esta minha breve análise, parcial, esconderia jovens engajados, jovens que estão no mundo, em diálogo com o mundo, e que não possuem tempo para essas bizarrices da modernidade.

Torço pelo meu erro, nesse caso. Ainda assim, é assustador ver tanta desinformação e ignorância entre pessoas que construirão o futuro deste pobre planeta. Espero que a catarse da Internet não tenha sido em vão.

PS. Minha dissertação sobre o tema, levemente diferente desta temática, foi defendida em 2011 e levou o título de “Representação Midiática e Representatividade Política: Meios de Comunicação, Sociedade em Rede e Cidadania Global”, acessível clicando aqui.

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