
Já bem disse Fernanda Montenegro
Eu não tenho receio de morrer
Na verdade, o que sinto é muita pena
Pois um dia terei que me abster.
Deste mar, deste céu e deste azul
Da floresta, do ipê, mandacaru
Da castanha vendida em Soledade.
Do barulho da chuva no telhado
Da orquestra de sapos no banhado
Disto tudo, meu Deus! terei saudade.
Não verei mais a Serra do Teixeira
O Tendó ladeando o meu caminho
A Espinharas bordada de algodão
E as nuvens em céu de carneirinho.
Não sentir mais o cheiro petricor
Que me lembra beijar o meu amor
No sopé da incomum Pedra do Frade.
Tenho pena de não ver mais a lua
Luminando na praia a mulher nua
Disto tudo, meu Deus! terei saudade.
Martim Assueros, 21/10/2024
Foto: Internet, s/d e identificação do autor
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.
