
A vida merece algo além do aumento da sua velocidade, teria dito Gandhi.
O além de mais velocidade não é menos, e sim outra. Outras. Como Borges formulou: Há velocidades. Uma série de posteriores, anteriores e contemporâneos que, de tempos em tempos, se entrecruzam.
Se aceitamos que não existe uma forma ideal do triângulo, por que imaginar o tempo — os tempos — no arquétipo platônico?
O tempo é a imagem da eternidade, conclui Borges.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/

Qué bela intervenção a sua, Gustavo. Como tão poucas palavras podem ser tão oportunas, e movimentar tanto a minha substância interior. Depois de ter lido esta sua brevíssima escrita sobre o tempo, lembrei de um texto de Zygmunt Baumann, o sociólogo e filósofo polonês que escreveu Identidade líquida. Cómo nos tempos atuais, a identidade está em constante transmutação, recriação e adaptação. Lembrei também de Ferdinand Braudel, o historiador francês que fala dos tempos discontínuos, da duração e das diferentes temporalidades. O que nos leva, também, a Alfred Schutz, Fenomenologia e relações sociais. Obrigado.