A carapuça de Odorico

Odorico & Zeca Diabo

“O Bem Amado” é a cara de Guel Arraes. Ritmo perfeito e atores em ótima forma. Mas, lançado em plena campanha eleitoral, o filme pode ser objeto de interpretações paranóicas.

Governistas podem achar que Odorico e seu populismo demagógico representariam Lula. Já os oposicionistas seriam representados pelo jornalista Vladimir. O personagem usa meios oportunistas e desonestos para se opor a Odorico.

O filme dá pouco espaço a esse tipo de interpretação. Sua pretensão parece ser a de servir como uma advertência contra corrupção política em geral.

Mas uma super-produção da Globo não chega ao grande público sem fortes intenções ideológicas. A maior delas é a banalização da política. A indiferença em relação à corrupção e negociatas de interesses. O sentimento de que todos são iguais em sua baixeza e desonestidade.

Algo que se reforça ainda mais num quadro em que as principais candidaturas mal conseguem explicar o que as diferencia. As eleições tornam-se uma dança das cadeiras. Um leilão para ver quem oferece o melhor lance pela estabilidade do sistema de dominação e exploração. Sendo assim, melhor deixar a política para os políticos.

Uma situação dessas é a mais confortável para os poderosos. É a política institucional como comédia, com resultados trágicos para os explorados. A estes caberia responder com sua própria política. Aquela construída em suas associações, sindicatos, partidos. Produto das lutas, manifestações, greves. Mas estes instrumentos foram esvaziados pela “esquerda” que ocupa o poder temporariamente.

Nestas eleições, a burguesia está de camarote, segurando a carapuça de Odorico. São muitos os que se estapeiam para vesti-la.

Sérgio Domingues
http://pilulas-diarias.blogspot.com

V Seminário Nacional: O professor e a Leitura do Jornal

V Seminário Nacional - O professor e a Leitura do Jornal - Faculdade de Educação, Unicamp, 14 a 16/07/2010

Entrevista com o professor Marco Silva.

1 – Na “era digital”, temos os inforricos e os infopobres. Você também destaca o infoanalfabeto, dando a entender que não basta ter acesso às tecnologias digitais online para ser um alfabetizado digital. Qual o perfil do infoanalfabeto?

Paulo Freire tem um entendimento muito profundo sobre o que seja o analfabeto. Para ele, o analfabeto não é meramente aquele que não sabe operar com os códigos da leitura e da escrita. Mais do que isso, é alguém que não sabe lidar com os códigos necessários para se posicionar e interferir criticamente no mundo. Pego carona nesse entendimento para situar o infoanalfabeto ou o excluído digital. Não é meramente aquele que não tem acesso ao computador e à internet, mas aquele que não sabe operá-los para se posicionar e interferir criticamente no espaço e no ciberespaço […] Leia mais clicando aqui.

Cabo de guerra

tvHá coisa de dois meses, a Anatel resolveu que para uma empresa ter operação de TV a cabo não precisará mais vencer um processo de licitação. Terá apenas que pedir a outorga e demonstrar capacidade finaceira e técnica para manter a operação no ar que ganhará a concessão e poderá ir em frente. Basicamente, isso ajuda às teles, que há muito tempo procuram uma forma de ter oeprações de TV paga a cabo (algumas já têm por DTH), algo que é o pesadelo dos radiodifusores tradicionais. A esperança das teles era (é ainda) o PL-29, mas como esse anda a passos de tartaruga manca, a Anatel adiantou-se e definiu pela abertura ampla, geral e irrestrita das outorgas (…)

Alerta laranja

Está ficando realmente muito feia a coisa. A perda de credibilidade do jornalismo brasileiro – muito por causa dos próprios jornalistas – está começando a passar para o desrespeito puro e simples. Ontem, não vi…