É hora de somar, de nos juntarmos, fazer juntxs. Isto tem sido uma marca importante na minha vida, desde os meus tempos de estudante de sociologia, em Mendoza, Argentina.
Aprendi que o que realmente transforma, no sentido de uma libertação (um novo nascimento, uma existência humana mais justa, plena e feliz), não são tanto as convergências doutrinárias ou ideológicas, embora isto também possa ser importante, mas, sim, a convergência em ações das mais humildes e simples, cotidianas, até aquelas mais incisivas, de um ponto de vista coletivo.
Quando faço junto com outras pessoas, vou vendo que temos algo em comum. Se desfaz a barreira da diferença. Isto é: a diferença se torna enriquecedora, e não separadora. Cresço com aquilo que os outros têm e eu não tenho. A união com outros, em ações pelo bem comum, me plenifica. Me potencializa, me empodera, me da confiança.
A hora que nos toca viver aqui no Brasil, agora, a partir da instalação do regime autoritário, é uma hora de um agir colaborativo entre todas as pessoas de bem. Gente que recupera suas histórias de vida em um esforço coletivo para que volte a democracia ao país.
Não apenas a democracia formal, institucional, totalmente falseada pelo atual sistema político corrupto, classista e fascista, como também, o que é mais importante, a democracia como forma cotidiana de vida. Um país para todos não pode ser uma declaração vazia de conteúdo. Tem que ser um horizonte de ação cotidiana.
Desenvolver o que cada um(a) tem de melhor, do mais profundo do nosso ser, e fazer do dia a dia o momento mágico e divino. É hora de darmos à luz um mundo novo a cada instante. A arte e a cultura em todas as suas expressões, são terrenos especialíssimos de geração e fortalecimento de uma vida mais digna, mais plena de sentido.
Aceitar que necessitamos de todxs para defender os direitos humanos; não podemos deixar que isto seja algo que apenas os demais devam fazer. Cada um de nós é importante e decisivo, para enfrentar o preconceito, a ignorância, o ódio e a violência que estão minando a convivência.
Precisamos recuperar a capacidade de escutar as outras pessoas com atenção, sabendo que temos algo a aprender de quem quer que esteja ao nosso lado. Deixar de ter medo do nosso semelhante. Voltar a confiar nxs outrxs. Fazer da fraternidade algo concreto, a partir de ações mínimas e máximas, que nos recriam e fortalecem. Somar com as prefeituras, com outros movimentos sociais e organizações, com quem esteja por perto, refazendo a vida.
Não se pode viver com medo.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
