Sobreviver ao capitalismo

Sobreviver ao capitalismo, um sistema perverso.
Longe de mim negativismo, pessimismo ou desesperança. Ao contrário, intento contribuir com a onda humanizadora que resiste à abominação que nos assola. A vida não têm preço, não se vende. No entanto, o contrário é o que se vê desde a nascença até o ultimo suspiro.
Tudo se compra e tudo se vende. O deus dinheiro reina soberano no sistema que transforma as pessoas em coisas, em objetos descartáveis, em algo sem valor. Como se opor a esta barbárie? De muitos modos. Para começar, compreender que toda ação há de me incluir não apenas como executor mas também como objeto e finalidade da mesma.
Não há ações libertadoras desde “fora” do sistema. Não existe um “fora”. Tudo e todos/as estamos incluídos/as. Toda ação libertadora, portanto, compreende necessariamente um ou mais coletivos, redes, comunidades. Desfaz-se assim a ilusão salvacionista. Ha mutirão, cooperação, ações conjuntas.
Quando percebo que eu não sou uma mercadoria, não sou uma coisa, mas um sujeito com vontade própria, começa o caminho da recuperação da minha identidade. Não sigo mais os programas que fizeram para mim. Aliás, programas genéricos de despersonalização e alienação.
Eu não sou isso, eu não quero isso. Eu me quero de volta. Começo a recuperar a noção de quem eu sou. Descubro ao meu redor gente também em busca de si mesma. A recuperação da consciência de si é o primeiro passo. De longe, o mais difícil. Há toda uma indústria do “entretenimento”, da distração, da confusão. Nada é o que parece.
Descobrir a realidade dá trabalho. A recuperação da própria consciência e a decisão de viver a própria vida vêm aparelhadas. Existe a delinquência política institucionalizada, claramente no Brasil atual exemplificada no parlamento, no “presidente” da República, na mídia venal, nas igrejas domesticadoras.
E existe também a delinquência civil, a massa dócil, manipulada, inconsciente, movida a impulsos externos numa ou noutra direção. No meio e nos interstícios, ações pouco perceptíveis mas de grande impacto, praticadas por pessoas, movimentos, comunidades, em que se processa a recuperação da memória, da identidade e da consciência. Vastas são as possibilidades que nascem destes espaços mínimos que, diga-se de passagem, possuem enorme capacidade de sobrevivência.

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