Sentimento absoluto

Sinto no pulsar das veias a ansiedade dos presos,
presos no legado disseminado de um povo que não tem história.

Fábrica de ilusões, angústia e sadismo.

Sinto o bafo da miséria soprado na nuca do povo traído.
Sinto o cheiro do corpo caído do andaime de um shopping.
Ouço as vísceras se insinuando à espera do pão.

Vejo bandeiras partidárias, verdes, amarelas,
fulgurantes num mastro de miséria.
Ouço discursos malditos
repetidos sistematicamente pelos políticos.

Converso na esquina e vejo passivo
O grito contido do homem que anda pra lá e pra cá…
em busca de um sentido.

O fracasso se estampa na mente da gente,
no olhar trabalhado de quem ainda tem esperança.

No meio da praça, das praças, dos canteiros de calos,
dos ventres do futuro…

Ressoa uma só frase que restaura a esperança de liberdade
das trevas da exploração

Da decência de vida ser um cidadão brasileiro:
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve-nos!
Salve-nos!

(adaptado do livro Verbos Destilados)

*andreschlederschleder@gmail.com

Foto: Internet

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