Sem vacilo, a Vila faz bonito

O curta “Feitiço da Vila”, que vale a pena, tem quase 5 minutos e foi dirigido por Robson de Oliveira, em novembro de 2004. É apenas uma síntese, já que a História de Vila Isabel dá um longa, no entanto não deixa de ser interessante. O autor promete mais. A produção é do Canal Futura.

Faz um panorama rápido desde janeiro de 1872, quando nasce oficialmente o bairro. A Corte mantinha uma fazenda com escravos na região, a Fazenda dos Macacos, mas surge lá boa parte da resistência negra.

Foi palco de diversos movimentos abolicionistas, confirmando desde o começo a tradição de luta por justiça social. Enquanto outros bairros mantêm hoje muitos generais e senhores de terra nos nomes de ruas, Vila Isabel possui uma grande quantidade de abolicionistas homenageados (Visconde de Abaeté, Souza Franco, Torres Homem, Hipólito da Costa, Luis Barbosa, entre outros).

Dizem que os franceses passaram pela Avenida Boulevard 28 de Setembro quando invadiram a cidade em 1710 – invasões de Duclerc e de Duguay-Trouin, esta um ano depois.

Aqui já funcionou a extinta TV Guanabara (canal 9) – antes TV Continental, na verdade, que mudara para Vila Isabel depois de ser despejada em 1970. Passou a transmitir de um caminhão de externas e, em 1971, mudou para a Av. 28 de Setembro, número 258. Com muito esforço, resistiu com duas horas diárias de programação, realizadas pela equipe do Instituto de Educação de Alfredina de Paiva e Sousa. Teve a concessão cassada em fevereiro de 1972.

Braguinha, Nei Lopes, Pixinguinha, Noel Rosa e Martinho da Vila são alguns dos craques da poesia que já passaram e ainda passam pelo bairro. Noel, claro, é o mais lembrado. E não é à toa. Nasceu, viveu e morreu aqui, sempre na mesma casa, por 26 anos.

“Feitiço da Vila”, nome emprestado ao curta, é um dos melhores sambas de todos os tempos. Para mim, claro, é o maior.

A emoção que dá ao ouvir “Sol, pelo o amor de Deus não venha agora, que as morenas vão logo embora” é indescritível. Como na letra, São Paulo dá café, Minas dá leite e Vila Isabel dá samba.

Robson participou também do roteiro, texto (com Lúcia Marapodi), fotografia e, de quebra, fez a narração. No samba: “(…) tenho que dizer, modéstia à parte, meus senhores eu sou da Vila”.

Dê uma olhada na única imagem em movimento de Noel Rosa, pelo que se comenta.

Uma reportagem na Rede Globo parece confirmar esta crença, já que é a única imagem que eles utilizam em um VT sobre o compositor.

O Quinteto Levapalavá interpreta Noel e divulgou no YouTube a simpática Tipo Zero.

Com Vadico e Francisco Alves, fez o clássico “Conversa de botequim”, gravado em 1935 e relançado em 1950. Chico Buarque regravou e ficou ótimo.

Sem esquecer, claro, que nos últimos anos se intensificaram os conflitos entre traficantes, policiais militares e milicianos (ex-policiais e policiais corruptos). Para o pessoal da favela, o cenário é mais violento.

No entanto, quem nasce aqui sabe que o valor do bairro está acima de qualquer problema temporário – por pior que seja. Com muita criatividade, samba e resistência, o bairro está unido e não vacila.

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