Francamente, discutir se comunistas iam acabar ou não com o Brasil em 1964, ou se a ditadura militar dizimou centenas ou milhares de pessoas, é uma das punhetas mais sem graça que eu conheço.
Vamos combinar logo, por favor: o Brasil não investiga seu passado e não pode fazer, portanto, nem reparação, nem reconciliação. Quanto mais Justiça.
Milicos se cagam de medo, porque mataram, todo mundo sabe que mataram, eles mesmo sabem que mataram, e mataram muito, e com muita tortura. Alguns poucos militantes que lutavam legitimamente contra o Terrorismo de Estado, por que não, também deveriam ser investigados.
E os ex-comunistas hoje no poder são quase todos covardes e não querem peitar a “institucionalidade” nacional, essa mesma que esconde os ossos de milhares, destrói documentos e mantém a anistia.
Crimes contra a Humanidade, como os cometidos pelas ditaduras latinas nos anos 60, 70 e 80, não podem ser anistiados, não prescrevem. Aqui mesmo nesta rede social, tenho mais de uma dezena de amigos que tiveram seus parentes torturados, perseguidos, mortos. As cicatrizes ainda não fecharam e estão por todos os lados.
Quem teria, uma vez no poder, a coragem de peitar os militares com uma investigação séria não tem poder para tal ou foi, infelizmente, assassinado covardemente.
Rui Barbosa já havia escrito, parecendo antecipar nossa tragédia contemporânea: “Um país sem memória não é apenas um país sem passado. É um país sem futuro.”
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
