Santa Claus S.A.

Refundado pela Organização Mundial do Comércio, o Natal pós-moderno permite que o bem estar chegue a todos os cidadãos do planeta, ao garantir que o décimo terceiro dos trabalhadores possa ser resgatado pelos patrões, donos de multinacionais. Dessa forma, como se sabe, os patrões poderão generosamente conceder mais benefícios, empregar mais pessoas e melhorar a bebida da festa de fim de ano.

A crise financeira internacional de 2008 provocou importantes mudanças no Natal, que já este ano começou em novembro e terá um preço mínimo por presente, de acordo com a renda. Para facilitar a vida do cidadão, a Receita Federal adotará o e-Governo e publicará as novas regras num portal na Internet. Para garantir que os presentes fossem entregues a tempo, o governo federal dispensou o pregão eletrônico e contratou empresas ligadas a idôneas lideranças do PMDB.

A modelo Megan Fox foi a escolhida pela Santa Claus S.A. para lançar a nova cor do Natal. Ela aceitou participar da ação por apenas U$5 milhões, em consideração ao clima de solidariedade e fraternidade que permeia o Natal.
A modelo Megan Fox foi a escolhida pela Santa Claus S.A. para lançar a nova cor do Natal. Ela aceitou participar da ação por apenas U$5 milhões, em consideração ao clima de solidariedade e fraternidade que permeia o Natal.

A cor das festividades deste ano será o fuchsia, muito mais viva e moderna do que o anacrônico e ultrapassado vermelho.

Papai Noel, por sua vez, há muito não mora mais na Lapônia, tendo mudado seu escritório para o vigésimo sétimo andar de um arranha-céu na fífiti avenú. De lá, administra 36 filiais em todo o planeta, sendo que o atendimento em áreas mais pobres é realizado por telefone, por meio de empresas tailandesas terceirizadas.

A Santa Claus S.A. negou veementemente, na semana passada, qualquer indício de trabalho escravo. Informou ainda, por meio de sua assessoria em Genebra, que qualquer desvio ético ou socioambiental será punido com a rescisão do contrato por dois meses.

Já a Taiwan Klaus Company informou que desconhece os cerca de trezentos imigrantes vestidos de Papai Noel que trabalhavam em regime de semi-escravidão e não soube dizer porque todos eles estavam com uma marca da empresa em suas mãos.

Em Nova York, a Santa Claus S.A. continua a gerar cada vez mais empregos diretos e indiretos, o que tem agradado o presidente Barack Obama no esforço de reerguer a economia americana. O primeiro presidente negro de toda a História dos EUA fez questão de comparecer à abertura oficial do Natal, que ocorreu no mês passado em Las Vegas.

O negócio cresceu tanto que, este ano, foi cogitada a possibilidade de o coelhinho da Páscoa pedir concordata ou, ainda, ter sua empresa comprada pela Santa Claus S.A.

O Conselho Econômico do Senado questionou, em outubro deste ano, o fato de a holding deter 96% do setor e pediu esclarecimentos ao seu diretor, que atualmente reside em Paris. Devido à proximidade das atividades deste ano, Santa Claus declarou que não poderia comparecer a nenhuma das 6 audiências públicas sobre o tema.

John Clark, diretor do Departamento de Relações Públicas da empresa, informou durante coletiva de imprensa em Londres que o Natal deste ano será sobre solidariedade, com o slogan “Paz e fraternidade: fazer o bem faz bem”.

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