Chega à sua décima edição a revista carioca Vírus Planetário, publicação independente e contra-hegemônica, como ela mesma se define em seu editorial. São três anos de existência com uma linguagem descontraída, boas ideias e uma visão crítica de nosso processo sócio-econômico-cultural. A revista lembra um pouco o estilo do histórico O Pasquim, com toda a sua irreverência gráfica. Criada em 2008, sua atual situação representa um marco histórico para a revista, que já enfrentou grandes desafios. A expectativa do projeto é continuar desempenhando seu papel na organização de uma sociedade mais justa e democrática durante muitos anos.
De acordo com um dos editores, Caio Amorim, a comunicação talvez seja o principal método de politização e disputa pela construção de uma sociedade igualitária tanto sonhada. Ele explica que, por ser contra hegemônica, a equipe passa por extremas dificuldades para produzir a Vírus Planetário.
“Há falta de dinheiro e muitas ‘batidas de porta na cara’, dadas por possíveis patrocinadores que desacreditam no projeto ou não concordam com a linha política da revista. Quando criamos a revista em maio de 2008, a vimos como uma grande possibilidade de construir uma mídia alternativa que conseguisse unir a seriedade crítica do jornalismo já existente em mídias de esquerda, como Caros Amigos e Brasil de Fato, com a irreverência muitas vezes despolitizada e pós-moderna de publicações como MAD”, diz Amorim.
Neste número comemorativo a Vírus traz reportagens relacionadas ao uso da energia nuclear no Brasil e entrevistas exclusivas com Michael Löwy, um dos maiores intelectuais marxistas da atualidade, e Petkovic, ex-jogador do Flamengo que acaba de pendurar as chuteiras e fala sobre política educação e até futebol. Na entrevista Inclusiva, como eles chamam, Claudia Santiago e Vitto Giannotti falam do monopólio da mídia no Brasil, as experiências em comunicação na América Latina e sobre o Núcleo Piratininga de Comunicação, fundado por eles em 1992. Na 10ª edição tem também uma resenha sobre o tão falado filme “Rio”, uma reflexão sobre a morte de Osama Bin Laden, e muito mais.
Caio acredita que a Virus está impulsionando sua credibilidade ao público e essa décima edição é um grande passo nesse sentido, assim como a consolidação da venda da revista em bancas e locais alternativos, como locadoras e sebos, dentre outros. Ele reconhece que o objetivo original do projeto ainda não foi alcançado, mas tem avançado no sentido de fazer uma publicação que consiga balancear o humor com coisas sérias.
“Ainda assim, acredito que mesmo a pouca porcentagem de humor em nosso conteúdo é importantíssimo para atrairmos atenção de leitores que nunca se interessariam por uma revista séria e pesada sobre política. Os desenhos, charges e quadrinhos também contribuem para isso, pois também possibilitam quem não tem muito hábito de leitura entender a mensagem de uma forma mais direta. Estamos de fato tirando o projeto do papel e colocando na prática para entrar de vez na disputa pela opinião pública, pela quebra dos preconceitos e ideal da necessidade urgente de se transformar a sociedade”, conclui.
A edição bimestral de maio/junho pode ser encontrada em diversos pontos de distribuição no Rio de Janeiro, listados na página da revista: www.virusplanetario.com.br Por apenas 2 reais você pode fortalecer a imprensa alternativa e a democratização da comunicação, nesse rico projeto de informação crítica e descontraída. Para comprar por encomenda ou uma cota, envie um email para virusplanetário@gmail.com. Paz e vida longa para a Vírus Planetário!

Parabens a toda a equipe da revista.