Resistência

A resistência a um governo ilegal e ilegítimo, mentiroso e autoritário, criminoso e violador dos Direitos Humanos, se exercita de maneiras diversas e em diferentes frentes. É um erro pensar que existe apenas uma frente (político-partidária, de organizações de massa, instituições, etc.) capaz de derrubar um governo que impõe o terrorismo de estado com a cumplicidade do sistema judiciário, o silêncio da comunidade internacional, a blindagem dos chamados meios de comunicação e o apoio de uma massa descerebrada que não reflete, apenas obedece o que lhe mandam dizer, fazer, pensar e sentir (robôs).

A importância de ações pessoais e de pequenos grupos, a história mostra, é decisiva neste jogo de empurra e empurra cujo alvo final é o restabelecimento da democracia na sua plenitude, não apenas como sistema formal do exercício do poder, mas também e sobre tudo, como sistema capaz de garantir a vida humana na sua plenitude. Ou seja: que cada pessoa tenha o direito de viver, trabalhar, existir, em suma, completo respeito à sua individualidade, crenças, costumes. A blindagem do regime nunca é completa nem perfeita.

Existem brechas tais como o fato de que as medidas autoritárias e violadoras dos DDHH são aplicadas –ou tentam ser aplicadas– por pessoas sobre pessoas. Isto é: o fato de que em algum momento aparece diante do repressor ou do assassino ou do juiz venal ou do jornalista mercenário, uma pessoa íntegra, decente, pautada por valores, impõe uma barreira. Há casos comprovados de policiais que se negaram a torturar ou a matar na província de Córdoba, Argentina, durante a ditadura de Videla. Embora a desobediência pudesse ter-lhes custado a vida, preferiram não acatar a ordem injusta.

Uma outra barreira — de não menor importância– está constituída pelo fato de que a massa de elementos manipulados para sustentar os regimes de terrorismo de estado como o atualmente estabelecido no Brasil, em algum momento também passam a sofrer ações de repressão ilegal, cerceamento de direitos, perda de garantias. Isto certamente mina as bases de sustentação do regime. Há ainda uma outra fronteira, apenas perceptível, que no entanto também joga a favor do restabelecimento de um regime constitucional.

É o fato de que ainda dentro do quadro de executores e apoiadores do regime, existem pessoas que não se venderam por completo à tarefa genocida. Uma réstia, um fio de luz, um como que resto de humanidade permanece nessas criaturas, o que as faz em certos momentos terem atos de compaixão pelas pessoas alvo da ação tenebrosa exercida pelo governo. Resta ainda mais uma fronteira: em algum momento a mentira é descoberta. Aparecem os cadáveres. Os mortos deixam de ser uma estatística distante e são vistos de perto. Eu conheci esta história. A partilho aqui e agora com a intenção de fortalecer a esperança.

Um comentário sobre “Resistência”

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