Repper Fiell dedica suas músicas aos trabalhadores de todo o Brasil

Fiell, artista do Santa Marta

O artista explica que resolveu abrir mão do entretenimento para falar sobre a situação da classe operária

Publicado no jornal Brasil de Fato-RJ 

O mês de maio é tempo de lembrar as lutas dos trabalhadores no Brasil e no mundo. Este é um dos principais temas abordados nas músicas do artista Fiell, do morro Santa Marta, que fica em Botafogo. Ele costuma se apresentar como “Repper” em referência ao repente do Nordeste, sua terra natal. “Meus bisavós eram repentistas e eu sempre parava para ouvir a música de raiz nordestina”, conta. São muitas as dificuldades de quem resolve sobreviver no campo da arte sem o financiamento de empresas. Mesmo assim, Fiell resolveu abrir mão do entretenimento para dialogar com os trabalhadores da cidade e do país.

“Acredito que a arte pode ser usada para libertar um povo. Meu objetivo é usar minhas músicas para mostrar a situação de vida da maioria da população brasileira, falando sobre nossa péssima qualidade de vida, a falta de investimentos na educação e na saúde pública. Procuro lembrar sempre que essa cidade conhecida como maravilhosa não é construída pelo prefeito Eduardo Paes ou pelo governador Sérgio Cabral. São as mãos dos trabalhadores que erguem todas essas construções. Muitas vezes, é gente que não se beneficia dos frutos do próprio trabalho“, revela.

Nascido em Campina Grande, Paraíba, Emerson Claudio dos Santos, de 33 anos, veio para o Rio no final dos anos 1990 para morar com sua tia Luzia, na Cidade de Deus, onde passou a conhecer melhor o movimento Hip Hop. Depois se mudou para o morro Santa Marta e desde então já produziu curtas, publicou o livro Das favelas para as favelas e lançou três álbuns musicais: “Mundo Cão” (2002), “Árbitro da própria vida” (2006) e o recém-lançado “Pedagogia da Dominação” (2013). Este último CD aborda temas como os direitos dos cidadãos e as dificuldades da classe operária, principalmente na música “Trabalhadores do Brasil”. O álbum foi produzido em parceria com alguns grupos e artistas, como Marcelo Yuka (ex-Rappa), O Levante, Bonde da Cultura, Dudu Nascimento, Mister Zoy e outros.

“Sei e assumo meu compromisso com meu povo favelado, do campo, do asfalto, gente que é explorada diariamente. O objetivo é chamar para a organização coletiva, porque só unidos podemos mudar alguma coisa”, revela.

1º de maio é dia de lembrar as lutas por melhores condições de emprego

O artista também fala sobre a importância de se conhecer a história do 1º de Maio. “Esta é uma data que vai muito além de festas. É fruto de muita luta e sangue derramado. No século 19, nos Estados Unidos, os trabalhadores foram às ruas para reivindicar melhores condições de emprego e a redução de jornada de trabalho. Na ocasião, houve confronto com a polícia e muitos foram assassinados”, lembra.

E de lá para cá, muita coisa mudou? Para Fiell, ainda há muito a ser feito. “Para os trabalhadores do Brasil a situação continua muito ruim. O custo de vida está cada dia mais caro, principalmente aqui no Rio de Janeiro. Nas favelas, o preço aumentou bastante depois da chegada da UPPs. A maioria dos moradores não tem acesso à cultura, saúde, escola, moradia… Esses são direitos que deveriam ser garantidos a todos”, observa. Para alterar essas situação, ele indica a mobilização dos cariocas para que a cidade seja de todos, e não de uma minoria. “Pode beber, pode sorrir, cantar, dançar, é claro! Mas temos que nos organizar e defender uma melhor qualidade de vida para nossas famílias”, concluiu.

Para conhecer o trabalho do Repper Fiell, basta visitar a página do artista na internet: http://repperfiell.com.br/ Também é possível entrar em contato pelo e-mail fiellateamorte@gmail.com. No centro do Rio, os CDs estão sendo vendidos na Livraria Antonio Gramsci, que fica na Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Centro do Rio – perto do metrô da Cinelândia.  

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