Quem sou eu?

Quem sou eu?

Eu sou eu mais o meio donde vim

Sou um ser eticamente desfigurado

Eu nasci pra mandar: sou o Estado

O que é bom, dito eu, e sigo assim

A verdade é a que me está afim

Quem, faz tempo, me segue, eu não iludo

Sempre fui ditador e nada mudo

Contumaz mentiroso, volto atrás

O que  digo, desdigo, se me apraz

Deus acima de todos, e eu de tudo.

 

À ciência repilo: a Terra é plana

Pandemia é assunto da esquerda

Se alguém morre, é do jogo; lamento a perda

Infeliz, sou movido por conflito

Inimigos construo – acho bonito

O meu plano é armar o povo inteiro

E tornar o País um só braseiro

A indústria de armas, uma aliada

Financia as milícias, a filharada

Minha meta é extinguir o brasileiro!

 

Para mim, terra é só mercadoria

Para o agronegócio serve a terra

Subsolo pra mim minério encerra

A dos índios a gente desapropria

Camponês só me causa agonia

Os direitos humanos abominam

Só a humanos direitos bato o sino

Não existe racismo no Brasil

Isto é papo de negro imbecil

 Ao tal do zumbi eu não me afino

 

Em mulher não aposto, desconfio

Sexo frágil , não pensa como eu

Me preservo de erro como o seu

Nem os gays são remédio ao meu vazio

Essa gente também não aprecio

Não aprovo estupro em gente feia

Não me furto a dizer o que vem na veia

Nordestinos são todos “Paraíba”

Gente pobre que em todo canto arriba

Não parando na terra, invade alheia

 

Elegeu-me a elite do atraso

Abusando de Deus e fale news

A segui-la no ritmo então me pus

Apelando pra crença, de modo raso

Com poder e a ganância eu me Abraão

Cargos-chave entreguei a generais

Pandemia só agravo mais e mais

Parlamento “comprei” – viva o Centrão!

Cem pedidos de Impeachment ficam em vão

Nosso povo, exausto, exige paz!

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