Protestos: Ainda bem que existe a mídia alternativa!

Em meio a tantos protestos populares na Turquia e no Brasil com pessoas reivindicando direitos básicos, como transporte de qualidade com preços justos e por uma qualidade de vida. Todas essas reivindicações são garantidas em constituições nacionais de vários países.
O ponto em questão é como alguns setores da mídia, sem moral e colonialista, estão tratando os dois casos. Quem ouve rádio, lê jornais, internet e assisti telejornais verá o tratamento. Por exemplo:
Na Turquia são ativistas e manifestantes:
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/06/na-turquia-policia-retira-manifestantes-de-praca-em-istambul.html
No Brasil são vândalos e baderneiros:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2013-06-12/de-paris-alckmin-chama-manifestantes-de-vandalos-e-baderneiros.html
Para pôr mais fogo no assunto, o pseudo intelectual Arnaldo Jabor ironicamente disse que as pessoas estão brigando por míseros R$0,20. Se fosse mais racional, poderia questionar a contrapartida das empresas de ônibus ao usuário. Mas ele (Arnaldo) não tem nem ideia, porque não pegar indo para o trabalho dois transportes cheios todos os dias. o incrível da história é que pessoas acompanham o seu discurso.

Outra pérola que soltou foi afirmar que a luta na Turquia era contra o Islã, fato este que não tem sentido. Comentava também que os protestos eram organizados por jovens de classe média: tudo bem que seja, contanto que chamem a periferia para ir à luta e parem de nos tratar como coadjuvantes, se não estarão cometendo o mesmo erro do golpe de 64. O jornalista, pelo menos, se retratou ontem (17) na CBN, antes de aproximadamente 100 mil pessoas tomarem as ruas da cidade.
Queremos mostrar ao leitor como os meios de comunicações tratam os brasileiros há anos, como se fôssemos seus fantoches. Lembro-me da implantação das cotas raciais em universidades, as manchetes eram e são ainda repletas de sensacionalismos ditos em meios de comunicação mais respeitados. Manchetes decretando o Estado racista no Brasil, uma nação bicolor e de maneira bem desequilibrada. O debate não foi igual, e a sociedade aderiu o discurso do senso comum e fácil.
Tomara que o protesto dos vinte centavos seja o começo de outras manifestações oriundas de toda a sociedade. Mas não pode esquecer de convidar a periferia e o morro para a batalha, chamando, por exemplo, os motoristas de ônibus que acumulam funções e são pressionados pelas empresas.
Voltamos à mídia. Nesse momento as corporações midiáticas vêm passando por inúmeras crises, desde financeiras até a credibilidade. Para ter uma ideia, o telejornal mais visto do país tinha um ibope de mais de 80% e hoje amarga uma média de 55%. Qual é o principal motivo? Falta de confiança. Há trinta anos a rede Globo tentou manipular a eleição para o governo do Estado do Estado do Rio de Janeiro, num claro apoio ao candidato do regime militar, Moreira Franco. Depois veio sua nova criação, Collor de Mello, dizendo que salvaria o país dos Marajás: seu primeiro ato como presidente foi assaltar a poupança do contribuinte. E o último ato de desespero foi o caso Bolinha Gates, uma suposta fita durex que atingiu o ex-candidato à presidência José Serra. A Globo e demais da mídia colonial afirmavam que Serra foi atingido por um objeto pesado. Horas depois tudo foi desmentindo graças aos corajosos Blogueiros sujos, como classificou Serra.

Se a mídia está perdendo credibilidade, por outro lado as novas mídias da internet vêm nos oferecendo um novo olhar não dominante e tampouco alienado. A mídia alternativa faz o leitor ler e raciocinar acerca daquilo que está lendo, ouvindo ou assistindo. Isto tem abalado os poderosos da grande imprensa. Está se discutindo com a sociedade civil um marco regulatório de comunicações para quebrar os poderes hegemônicos da grande mídia. Enquanto eles (os poderosos) chamam de censura, apresentamos bens de divisões das comunicações. Por quê? Todos os meios de comunicações, em especial os comunitários (rádios, jornais e TVS), vão dividir o mesmo espaço. Há luta será igual.
A mídia burguesa colonial e manipuladora se sentem ameaçada. Dias atrás a Folha de São Paulo, em seu editorial feroz, aconselhou a polícia ser enérgica com os “vândalos”. No dia seguinte sua funcionária sentiu o quanto o Estado é perverso:
http://extra.globo.com/noticias/brasil/protesto-em-sao-paulo-reporter-ferida-no-olho-publica-depoimento-sobre-que-aconteceu-8686548.html
Blogs como Fazendo Media, Rodrigo Vianna, Luis Carlos Azenha, Luiz Nassif, Carta Capital, Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e demais têm contribuído para esta democratização com a possibilidade de que outras vozes sejam ouvidas. Não nos deixaremos ser seduzidos pelos Jaburus, Medrais, Kamels da vida para nos dizer o que é certo ou errado. Faça a mídia digital abrir o seu raciocínio, seja um agente questionador, isto o que ela vem nos oferecendo. Não caia no senso comum, onde os cidadãos cansados de tantas mazelas de nossas autoridades são classificados como vândalos e baderneiros. Ao contrário da Turquia e de toda Europa, que são apontados como ativistas que manifestam contra opressores. E nós lutamos contra quem? Estados opressores, a mídia burguesa e seus meios de produção. Contra tudo e contra todos, vamos lutar para o início de outra sociedade.
(*) Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro. E-mail: fabionogueira95@yahoo.com.br

2 comentários sobre “Protestos: Ainda bem que existe a mídia alternativa!”

  1. Muito bom Fábio, se pudesse eu diria:
    Jovens, não se deixem enganar como muitos de seus pais se deixaram: A Globo e a Veja não representam seus anseios e são contra o Brasil!
    parabéns pelo excelente texto.

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