Por uma Maré de paz

Segue rilisi divulgado pelos organizadores:
No próximo domingo, dia 20 de setembro, organizações sociais, associações de moradores, igrejas e moradores do conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, realizam o ato público “Outra Maré é Possível: pela valorização da vida e o fim da violência”. O evento, marcado para às 8 horas da manhã, será uma manifestação em memória às vítimas de violência com o objetivo de fazer com que os moradores se mobilizem para discutir a questão da segurança pública e buscar soluções para o fim da violência na localidade.
O professor e diretor da Redes de Desenvolvimento do Maré (Redes) Edson Diniz é uma das pessoas que está na organização do ato. Edson diz que historicamente o tema da violência é muito delicado dentro das comunidades e, por outro lado, o poder público não está aberto ao debate. Por isso a importância de envolver os moradores para essa discussão, já que são eles os mais atingidos. “Todas as organizações e instituições que participam do ato acreditam que a segurança é um direito que deve ser respeitado, além de ser uma questão estrutural que influi sobre qualquer projeto de melhoria das condições de vida na Maré”.
A favela faz parte da cidade
Para Edson o ato público demonstra a indignação dos moradores diante de uma situação cada vez mais insuportável. “A cada dia temos pessoas feridas ou mortas nas comunidades da Maré e isso precisa parar. Queremos chamar a atenção para o problema da segurança na localidade. Com o grau de violência que temos hoje, a vida está paralisada”, comenta. Edson lembra ainda que o ato é público e todos os interessados em discutir a segurança tanto na Maré como na cidade do Rio de Janeiro estão convidados para a atividade. “É importante essa mobilização dos moradores, porque esse posicionando diante do problema é o primeiro passo para alcançarmos uma solução. Por isso, todos devem estar presentes no dia 20 de setembro na Vila do João”.
O ato também reforça a ideia de que é necessário reconhecer que os moradores de favelas e periferias têm os mesmos direitos e deveres que as pessoas que residem em outros territórios da cidade. “Significa admitir que a Maré faz parte da cidade e deve receber assistência e serviços nas áreas de educação, cultura e segurança, entre outros investimentos, que os demais bairros recebem”, lembra Edson.
No entanto, é preciso analisar os indicadores de qualidade de vida no conjunto de favelas da Maré e das demais favelas do Rio. Atualmente todos os indicadores desses espaços estão abaixo da média da cidade. “Apenas quando esses indicadores de qualidade de vida se aproximarem dos indicadores médios da cidade poderemos pensar numa outra Maré. Não tenho dúvidas que potencial para isso existe, mas além de potencial é preciso ter vontade política, determinação e comprometimento do poder público”, completa Edson.
Após o ato espera-se que o tema da segurança pública seja pautado como prioridade tanto pelas instituições e moradores da localidade como pelo poder público. Os organizadores do ato pretendem rediscutir o modelo de segurança pública atual, baseado no enfrentamento e na lógica da guerra. Este modelo hoje tem causado dor, mortes e sofrimento aos espaços populares.

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