
Após as reflexões sobre o Holocausto, marcado todo dia 27, talvez devêssemos falar sobre o como o governo Vargas, que era antissemita (assim como outros muitos governos da região), não só impediu a entrada de milhares de judeus no país durante os piores momentos da humanidade como puniu funcionários do Itamaraty que se levantaram contra a eugenia oficial da época. Além, acrescenta-se, de lavar as mãos em relação aos membros do partido nazista no Brasil.
Isso serviria para refletir não só sobre um erro do passado, que condenou um sem número de pessoas à morte indiretamente por mãos “brasileiras”, mas para lembrar como é ruim construir um muro e promover o apartheid com base na etnia, além de se questionar por que uma sociedade trata estrangeiros europeus melhor do que haitianos ou nacionais da África.
O passado tem um caráter projetivo para o presente vivo, não poderia ser em hipótese alguma pretexto para fixar a História como se não tivéssemos nada com isso.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
