Talvez você não tenha acesso a essa notícia, e existe um bom motivo para isso.
Um homem chamado Dominic Ongwen se entregou e está em custódia. A sociedade civil internacional pede que ele seja levado a julgamento no Tribunal Penal Internacional. Mas quem é Dominic Ongwen?
Trata-se de um dos comandantes do chamado “Exército de Resistência do Senhor” (Lord’s Resistance Army, ou LRA). Trata-se de um dos grupos mais criminosos e atrozes que o mundo já conheceu, atuando no norte de Uganda e muitas outras áreas da África central, incluindo Ruanda e República Democrática do Congo.
Formado em 1987, o grupo é liderado por Joseph Kony — sim, esse muitos conhecem –, mas o que poucos sabem é que ele se proclama o “porta-voz” de Deus e do Espírito Santo. A LRA pode ser definida como um movimento armado extremamente perigoso, de orientação “cristã”.
Claro que não são cristãos. São terroristas. A descrição dos crimes cometidos pela LRA deixaria qualquer pessoa angustiada com a quantidade de maldade que os seres humanos são capazes de promover. E, ainda por cima, supostamente sob os mandamentos do Espírito Santo e do cristianismo.
Mas a LRA não é nem sequer chamada pelo nome real, em geral, apenas pela sigla. E os editores dos grandes meios pensam duas vezes antes de usar expressões como “terrorismo cristão” para se referir a eles.
Seria falta de bom senso, não é mesmo?
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
