
Foi procurando palavras
Que dissessem de Natal
Falassem de vida nova
Mundo feliz, sem igual
Que construí estes versos
Para um curto recital.
No A encontrei amor
No B, bonança e bondade
Do C pesquei compaixão
Compromisso e caridade
No D botei devoção
Decoro e diversidade.
Com E compus empatia
E o verbo esperançar
Catei o F pra foco
Firmeza e pra festejar
Do G busquei gratidão
Ser guia e também gostar.
Do H, Honestidade,
Hombridade e honradez
Do I veio integridade
Inclusão, intrepidez
Do J veio a Justiça
Pra viver com sensatez.
Do L saquei a luta
Para com M mudar
Naveguei com a letra N
Sem medo de naufragar
Para nutrir e ser ninho
Da cultura popular.
No O busquei ousadia
Para ouvir, para opinar
Para dar chance a paz
Fui lá no P procurar
Paixão, perdão, poesia
Pertencer, participar.
E com o Q, na sequência
Fui atrás do bem querer
De questionar a vida
Pra no R renascer
Renovar minha esperança
Nas fontes do bem viver.
Com S, sabedoria
Veio em primeiro lugar
Sorriso e serenidade
Chegaram pra completar
Com o T que trouxe logo
A urgência tolerar.
Depois trouxe transformar
O mundo com temperança
O U trouxe unidade
E com muita confiança
Lembrou que utopiar
É vida da esperança.
Trago o V da verdade
Contra a desinformação
O X de xerofilismo
Da Caatinga e do Sertão
Força da resiliência
Marca de superação.
Eu trago, por fim, o zelo
Oferta da letra Z
A natureza agradece
E se alegra por que
Quando você zela a vida
A vida zela você.
Aqui foi só um começo
Você decide o final
Se aprova este A-B-C
Peregrino, imaginal
Ou se segue a construção
Da esperança em ação
Do que vem no pós-Natal.
Cada palavra pescada
Tem bem mais de um sentido
Mas todas em seu conjunto
Têm um desejo contido
De espalhar confiança
Na ação da esperança
E poder do povo unido.
Cidoval Morais de Sousa é poeta, cordelista e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
cidoval@servidor.uepb.edu.br
