Passagem de ida pra Miami

Já era tempo. Até que fim, somos saudados com uma notícia menos vergonhosa na mídia niteroiense. Felicitamos a boa nova! Ocorre que o clã Silveira não está mais apto de se reeleger na cidade. A notícia vem mediante o anúncio dos dados de insatisfação da população junto ao governo. O detalhe: está em graus (quase) totais. Engraçado. Será á força da educação niteroiense tão dita pelas políticas desses governantes? Será… Parece ironia, não?
Não posso dizer que esse processo passe despercebido. Até por que, em vários momentos da trajetória, minha família se envolveu de alguma forma com o clã mandatário da cidade. É verdade, admito o pecado. De ter tido algum vínculo no processo político de Niterói no seu governo. Por que, acompanho desde criança quando Jorge Roberto Silveira iniciou em 1988 abrindo seu mandato de prefeito. Disso lembro bem. Tendo que fazer justiça, pois no âmbito do seu primeiro mandato houve mobilizações significativas na cidade. Até, contrastava com o todo do governo brasileiro de Sarney. Presidência que segundo relato do meu pai, só permitia comer “arroz, feijão e metade de ovo frito” – já que outra metade do ovo era para irmã.
Nesse primeiro momento, entre as políticas relevantes tomadas pelo governo podemos enumerar: a implantação do Médico família, Vida Nova no Morro (programa pioneiro batizado no Rio de Janeiro por Favela-Bairro), criação da Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN), e a construção do Museu de Arte Contemporânea (MAC). Além da diminuição drástica das taxas de analfabetismo, de melhoria das estradas e sinalizações de trânsito dando boas impressões no mandato. Assim, na força do primeiro mandato, Jorge Roberto Silveira, consegue se eleger nos demais mandatos e indicar os políticos posteriores.
Agora, se inicialmente havia alguma atividade e prontidão. Nas eleições posteriores tanto os candidatos por ele apoiados não seguiram tais passos, quanto ele não manteve o ritmo do primeiro mandato. Vai vê seja por isso que as propagandas envolvidas com o nome da prefeitura aumentaram. Visam construir uma melindrosa (utópica) governança. Consequentemente, aumentam o descrédito junto á população. Até por que, se a população atual percebe que se manteve inapropriadamente estático frente ao rascunho das seguintes questões listadas: 1) a questão do trânsito na malha urbana cada vez mais inchada, preferida pelo excesso de veículos a saída assinada pelo governo foi do corredor de ônibus que só o tempo dos trajetos da população no trânsito; 2) a questão da violência urbana que vem aumentado e que vem rifando os principais eleitores vindos das classes médias; 3) a questão dos desastres naturais, como a tragédia do Morro do Bumba, que ocorreram há dois anos, demonstrando a inatividade governamental no período; 4) a questão da seguida imobilidade em relação ao Bumba, anos após eles, não se vê qualquer movimentação do governo sobre os destinos e o que foi prometido para essas populações desguarnecidas, aumentando a sensação da inatividade da liderança; 5) a questão do aumento do consumo e da visibilidade do tráfico de drogas, especificamente, da infiltração do Crack na região fluminense; 6) e, por fim, a questão da não conclusão de obras como do caminho Niemayer e do Mergulhão na entrada da avenida Ernani Amaral Peixoto.
Felizmente, com o descredito indicado em dados pela mídia, mostra que a população vem “enxergando” que a oligarquia Silveira e seus seguidores vêm ofertando encima do “mito”, do passado, do nome de outrora. Baseado no que se passou há muito… Muito tempo. Tal é nos contos de fadas. Até por que, nem aos pés se parece com a figura levada pela propaganda da cidade do governo de Niterói como sendo uma das “melhores qualidades de vida do Brasil”. Pura falácia de quem não conhece o cotidiano da cidade. De quem não sente o cheiro das ruas esgaçadas pelo esgoto. De quem só deve pisar nos solos de Araribóia olhando outro lado da Guanabara (no Rio de Janeiro). Ou, até, entre as nuvens, como deve ser o belo voou pra Miami. Aliás, Jorginho, fica a dica: vai pra elas. Ou, para qualquer lugar, bem longe do que resta cidade. Afinal, já estava na hora de largar o que resta da carniça fluminense.
(*) Fábio Py Murta de Almeida é escritor autor de Nas veias correm esperanças… (CEBI, 2009), professor da Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT) e articulador do blog: http://fabiopymurtadealmeida.blogspot.com/.

Um comentário sobre “Passagem de ida pra Miami”

  1. Pôs é, eu também trouxe está bagagem desde da época dos meu pais.Que o pai dele era o CARA.É uma pena,o que faz o dinheiro!!!!Abraço este comentário escrito,porque só assim,como eu outras pessoas terão seus comentários também escritos neste blog.CHEGA de TANTAS promessas feitas e NÃO cumpridas.Porque não foi a casa dele ENTERRADA,naquele morro,tão dramático.As pessoas esquecem de um detalhe nisto tudo,o mundo,dá muitas voltas.

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