Papa Francisco encoraja a sermos firmes no amor

fotoNa oração da Coleta, nós rezamos: “Dá a teu povo, ó Pai, viver sempre na veneração e no amor pelo teu santo nome, pois jamais privas de tua graça os que estabeleceste sobre a rocha do teu amor.” E as Leituras que escutamos nos mostram como é este amor de Deus para conosco: é um amor fiel, um amor que tudo recria, um amor estável e seguro.

O Salmo nos convidou a agradecer ao Senhor porque “para sempre é seu amor”. Eis o amor fiel, a fidelidade: é um amor que decepciona, nunca vem de menos. Jesus encarna este amor e dele é Testemunha. Ele jamais se cansa de nos querer bem, de nos suportar, de nos perdoar, e assim acompanha pelo caminho da vida, conforme a promessa que fez aos seus discípulos: “Estou com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Por amor fez-se homem, por amor morreu e ressuscitou, e por amor está sempre ao nosso lado, nos momentos belos e nos difíceis. Jesus nos ama sempre, até o fim, sem limites e sem medida. E nos ama a todos, ao ponto de cada um de nós poder dizer: “Ele deu a vida por mim.” A fidelidade de Jesus não se desfaz nem mesmo diante de nossa infidelidade. São Paulo no-lo recorda: “Ainda que sejamos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo.” (2 Tim 2, 13. Jesus permanece fiel até quando fracassamos, e nos espera para perdoar. Ele é o rosto do Pai misericordioso. Eis o amor fiel.

O segundo aspecto: o amor de Deus tudo recria, isto é, faz novas todas as coisas, como nos lembrou a segunda Leitura. Reconhecer os próprios limites, as próprias fragilidades é a porta que abre ao perdão de Jesus, ao Seu amor que pode renovar-nos no profundo, que pode nos recriar. A salvação pode entrar em nosso coração, quando nos abrimos à verdade, reconhecemos nossas quedas, nossos pecados; assim, fazemos experiência, a bela experiência d´Aquele que veio, não para os sãos, mas para os enfermos, não para os justos, mas para os pecadores (cf. Mt 9, 12-13); experimentamos sua paciência, sua ternura, sua vontade de salvar a todos. E qual é o sinal? O sinal de que nos tornamos “novos” e somos transformados pelo amor de Deus é que nos saibamos despojados das vestes usaas e velhas dos rancores e das inimizades para vestir a túnica limpa da mansidão, da benevolência, do serviço aos outros, da paz do coração, própria dos filhos de Deus. O espírito mundano está sempre em busca de novidade, mas só a fidelidade de Jesus é capaz de da verdadeira novidade, a de nos fazer-nos homens novos.

Por fim, o amor de Deus é estável e seguro, como os recifes se protegem da violência das ondas. Jesus manifesta isto no milagre narrado no Evangelho, quando acalma a tempestade, dando ordens ao vento e ao mar (cf. Mc 4, 41), Os discípulos têm medo porque se dão conta disto. Jesus lhes abre o coração para a coragem da fé. Diante do homem que grita: “Não aguento mais”, o Senhor vai ao seu encontro, o Senhor oferece a rocha do seu amor, no qual cada um pode sentir-se seguro para não cair. Quantas vezes sentimos não poder mais aguentar! Mas, Ele está ao nosso lado, com a mão estendida e de coração aberto.

Caros irmãos e irmãs de Turim e de Piemonte, nossos antepassados sabiam bem o que quer dizer ser “rocha”, o que quer dizer solidariedade. Sobre isto nos dá um belo testemunho um famoso poeta nosso.

«Corretos e sinceros, parecem o que são: cabeças duras, pulso firme, falam pouco, mas sabem o que dizem, mesmo caminhando devagar, vão longe. Gente que não poupa tempo e suor – raça livre e teimosa -, todo o mundo sabe quem são, e quando passam, todo o mundo os repara.”

Podemos perguntar-nos se hoje somos unidos sobre esta rocha que é o amor de Deus. Como vivemos o amor fiel de Deus para conosco. Há sempre o risco de esquecermos aquele grande amor que o Senhor nos mostrou. Inclusive nós cristãos corremos o risco de nos deixar paralisar pelo medo do futuro, e de buscar segurança em coisas que passam, ou num modelo de sociedade fechada, que tende a excluir mais do que incluir. Nesta terra, viveram muitos Santos e Beatos que acolheram o amor de Deus e o difundiram ao mundo, santos livres e teimosos. Nas pegadas destas testemunhas,que também nós possamos viver a alegria do Evangelho, praticando a misericórdia; que possamos condividir as dificuldades de tanta gente, das famílias, especialmente as mais frágeis e marcadas pela crise econômica. As famílias têm necessidade de sentir o carinho materno da Igreja, para seguir adiante na vida conjugal, na educação dos filhos, no cuidado dos anciãos e também na transmissão da fé às jovens gerações.

Nós cremos que o Senhor é fiel? Como vivemos a novidade de Deus que todos os dias nos transforma? Como vivemos o amor equilibrado do Senhor que se põe como uma barreira segura contra as ondas do orgulho e das falsas novidades? Que o Espírito Santo nos ajude a estar sempre conscientes desse amor “rochoso” que nos torna estáveis e fortes nos pequenos e grandes sofrimentos, nos torna capazes de não nos fecharmos diante da dificuldade, de enfrentar a vida com coragem e olhar o futuro com esperança. Assim como, naquela época, sobre o lago da Galiléia, também hoje no mar de nossa existência, Jesus é Aquele que vence as forças do mal e as ameaças do desespero. A paz que Ele nos dá é para todos, inclusive muitos irmãos e irmãs que fogem de guerras e perseguições, em busca de paz e liberdade.

Caríssimos, ontem vocês festejaram a Bem-aventurada Virgem Consolata, a “Consola´”, que aí está, humilde e firme, sem pompa: como uma boa mãe. Confiemos à nossa Mãe o caminho eclesial e civil desta terra. Que ela nos ajude a seguir o Senhor, para sermos fiéis, para deixar-nos renovar e permanecermos firmes no amor.

http://www.sindone.org/santa_sindone/ostensione_2015/00056895_Messa_in_piazza_Vittorio___omelia_di_papa_Francesco.html
Trad.: AJFC

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