Papa Francisco: a conversão é contínua!

Mensagem – “Angelus”, DIA 06/12/2015

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Neste segundo Domingo do Advento, a Liturgia nos põe na escola de João Batista, que pregava um batismo de conversão para o perdão dos pecados. E talvez nos perguntemos: “Por que deveremos converter-nos? A conversão diz respeito a quem de ateu torna-se crente, de pecador se faz justo, mas nós já não somos cristãos? Podemos perguntar assim. Portanto, já estamos prontos” Mas, isto não é verdade. Assim pensando, não percebemos que é justamente por causa desta presunção – de que somos bons, de que somos cristãos – que devemos nos converter: da suposição de que, feitas as contas, assim vai bem, e não temos necessidade de alguma conversão.

Mas, experimentemos perguntar-nos: será mesmo verdade que, nas diferentes circunstâncias da vida, nós temos os mesmo sentimentos de Jesus? Os mesmos e verdadeiros sentimentos de Jesus? Por exemplo, quando sofremos algo errado ou alguma afronta, conseguimos reagir sem animosidade, e perdoar de coração a quem nos pede desculpa? Quão difícil é perdoar! Quão difícil! (…) Quando somos chamados a condividir alegrias e sofrimentos, será que sabemos realmente chorar com os que choram e alegrar-nos com os que se alegram? Quando devemos expressar nossa fé, será que sabemos fazê-lo com coragem e simplicidade, sem nos envergonharmos do Evangelho? E assim, podemos fazer muitas perguntas. Nâo etamos prontos: sempre devemos nos converter, tendo os mesmos sentimentos que tenha Jesus.

A voz do Batista ainda grita nos hodiernos desertos da humanidade. Quais são os desertos de hoje? As mentes fechadas e os corações endurecidos, o que nos leva a perguntar se efetivamente estamos a percorrer uma estrada justa e e vivendo uma vida segundo o Evangelho. Hoje, como então, ele nos adverte com as palavras do profeta Isaías: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas veredas.” Trata-se de um convite impactante para abrirmos o coração e a acolher a Salvação que Deus nos oferece incessantemente, quase com teimosia, porque nos quer todos livres da escravidão do pecado. Mas o texto amplia aquela voz, a prenunciar que hoje todo ser humano verá a salvação de Deus. A Salvação é oferecida a todo ser humano, a todo povo, ningué fica excluído. Nenhum de nós pode dizer: “Eu sou um santo.” “Eu sou perfeito”, “Eu já estou salvo”. Devemos sempre aceitar a oferta desta Salvação: é para isto o ano da misericórdia: para irmos mais longe, nesta estrada da Savação, a que Jesus nos ensinou. Deus quer todos sejam salvos

Porque Deus quer que todos os seres humanos sejam salvos por meio de Jesus Cristo, único mediador. Portanto, cada um de nós é chamado a fazer conhecer a Jesus a quantos ainda não O conhecem. Isto não é fazer proselitismo. É abrir uma porta. “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”, declarava São Paulo. Se o Senhor mudou nossa vida, e muda cada vez que em direção a Ele caminhamos, como não sentir a paixão de fazê-Lo conhecer junto a quantos encontramos no trabalho, na escola, no condomínio, no hospital, nos locais de reencontro? Se olharmos ao nosso redor, vamos encontrar pessoas que se acham disponíveis a começar, recomeçar um caminho de fé, caso encontrassem cristãos enamorados de Jesus. Será que não deveremos e poderemos ser nós, aqueles cristãos?

Mas, temos que ser corajosos: rebaixar as montanhas do orgulho e da rivalidade, preencher os buracos cavados pela indiferença e pela apatia, redirecionar as veredas de nossa preguiça e de nossos compromissos.

Que a Virgem Maria nos ajude a derrubar as marreiras e os obstáculos que impedem nossa conversão, isto é: o nosso caminho ao encontro do Senhor. Só Ele, só Jesus, pode fazer que se realizem todas as esperanças do ser humano.

https://www.youtube.com/watch?v=qdR5-agXQNU
(Do minuto 0:40 ao minuto 08:15)
Trad.: AJFC

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