Paisagens nordestinas

Da janela eu vejo a roça
Pela cana escorraçada
Vejo o estrago da boiada
Destroçando a terra nossa
E o roceiro sem que possa
Cultivar o seu pedaço
O juiz, outro devasso
Dá razão a quem oprime
Pune a vítima do crime
Urge, então, dar fim ao laço!

Nas estradas do Nordeste
Da minha janela eu vejo
Entre lágrima e festejo
De ocorrências incontestes
Que a esquerda mais se preste
Em apostar sempre em mudança
Do contrário, o mal avança
Urgen, então, reanimar
Toda a uta popular
Com firmeza e sem tardança

Pelo muito então já visto
Dos caminhos já trilhados
Não compensanm os achados
E que tal revisar isto?

Arriscando ser malquisto
Pra quem já não acha mais
Ser preciso ir atrás
De horizonte alternativo
Sem mister de novo crivo
“Espontânea, surge a paz” (?)

Espontânea, ela não vem
Sem que seja cultivada
Dela tem-se pouco ou nada
Não se compra com vintém
Nem do ouro sobrevém
Única é sua premissa
– Do contrário é fé omissa –
Pela boca do Profeta
Uma via é só correta:
Paz é obra da Justiça!

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