A brasileira Vale foi eleita a pior corporação do mundo. No Fórum Social Temático (FST), em Porto Alegre, organizações se reuniram para explicar por quais motivos a mineradora saiu vitoriosa do “Oscar da vergonha”.
NOTA COM AUDIOS
O troféu do Public Eye Awards, que premia corporações que se destacam por violarem os direitos humanos e cometerem crimes ambientais, foi entregue hoje (27) durante Fórum Mundial Econômico, de Davos.
A votação pela internet durou 21 dias e a Vale, que detém projetos em 38 países, foi considerada a pior do mundo por 25 mil e 41 pessoas. Brent Mikan, da International Rivers, destacou que o resultado reflete a mobilização das populações diretamente afetadas.
Para o padre Dário Borssi, a participação da Vale com 9% no Consórcio Norte Energia, que constrói a usina de Belo Monte, foi determinante na votação. O impacto da mineração na saúde das populações também é visto como fator pelo religioso, que afirma que 59% dos moradores ao longo da ferrovia de Carajás, operada pela Vale, sofrem com febres constantes.
Alexandre Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a ação da Vale propicia a exploração de mão de obra escrava. Além disso, ressaltou que a contaminação da terra e da água pela mineração coloca a produção agrícola em risco.
Já Lúcia Ortiz, da Amigos da Terra, acrescentou que a crise não suportará “falsas compensações climáticas” defendidas por empresas como a Vale. A ativista explica que estes instrumentos escondem os verdadeiros objetivos da Rio+20 : a especulação dos recursos naturais no mercado financeiro.
Concorreram com a Vale ao prêmio de pior do mundo, organizado pelo Greenpeace e pela Declaração de Berna, as empresas Barclays, Freeport, Samsung, Syngenta e a Tepco, que ficou em segundo lugar por causa do desastre de Fukushima, no Japão.
Gilka Resende, de Porto Alegre. 27/01/2012
Audios disponíveis:
Brent Mikan, da International Rivers, fala que os atingidos pela Vale não têm a devida visibilidade na mídia.
41 seg. (1,29 MB) arquivo mp3
Padre Dário Borssi, que acompanha 16 comunidades afetadas, destaca os impactos na saúde.
1 e 10 seg. (2,18 MB) arquivo mp3
Alexandre Conceição, do MST, aponta a relação da mineradora Vale com o trabalho escravo.
41 seg. (1,43 MB) arquivo mp3
Lúcia Ortiz, da Amigos da Terra, diz que a Vale apoia falsas soluções frente à crise climática.
1,76 MB seg. (43) arquivo mp3
(*) Matéria publicada na Agência Pulsar Brasil.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
