Opus-detetives versus autonomia universitária no Peru

Seguimos os debates que vem ocorrendo na Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP). Melhor, continuamos a repercutir os problemas que vêm causando a deliberação da cúpula católica, substanciada na Opus Dei, da deposição dos nomes “Pontifícia” e “Católica” da representativa universidade. No texto anterior, Opus Deu no que deu, pude indicar os últimos acontecimentos que vem sendo vividos especificamente no Perú, especificamente no universo cristão-católico.
A percepção é de que a ação faz parte das políticas religiosas recentes adotadas pelo Vaticano, pontualmente no mandato do pontífice, alavancadas pela cúpula conversadora espanhola da Opus Dei. Formam-se ações que visariam combater as “memórias perigosas” de católicos progressistas, simbolizados mais recentemente pelos adeptos da Teologia da Libertação. Corrente essa cristã, influente dentro da PUCP, que tem desde os anos 60 do século passado como principal cabedal o padre Gustavo Gutierrez – religioso que entonou pela primeira vez o nome Teologia da Libertação pelos trabalhos e ações nessa universidade.
No momento do primeiro texto tínhamos preponderantemente a voz granindo para todos os lados do Cardeal Luiz Cipriota (Opus Dei), justificando a deposição do nome da universidade, pois para a atual alta cúpula não servia aos ideais romanos, e, muito pelo contrário, vem causando dano a seus interesses. Agora, mediante aos ditos da cúpula romana surgiram mais recentemente respostas da direção da universidade. O reitor, Marcial Rubio, acaba de repercutir que a universidade não abrirá mão do nome “Pontifícia” e “Católica”. Aponta que a constituinte peruana os protege dos interesses despóticos da cúria. Permitindo a eles a autonomia universitária. Rubio afirma ainda que com o nome (PUCP) são conhecidos pelo Mundo, por isso, não faz sentido tal deposição, pois o decoro e as diretrizes da universidade servem aos interesses do Peru, e não somente do grupo religiosos católicos: lideradas pelos Bentos e Opus detetives. Até por que, se assim for seguido á risca a universidade perderia até o terreno e suas alocações, pois tudo pertenceria ao legado romano.
Em todo caso, seguiremos assistindo as cenas dos capítulos seguintes ao lado dos irm@s católicos peruanos e os peruanos entendendo que já foram os tempos da antiguidade quando a opção romana se policiava como “única”. Ressalta-se contra isso que a autonomia dos governos locais, inclusive de suas religiões particulares, deve ser respeitada como desde a urgência dos estados liberais que sobrepujaram o poderio religioso de uma face. Enfim, sobretudo romanticamente, a mentalidade da atual cúpula católica parece ideologizar ao menos uns 1700 anos de diferença de hoje. Quando sua articulação foi importante na violenta luta da busca da pax romana (do Império Romano), o que felizmente hoje se dispensa pela costura mais “democrática” da modernidade.
(*) Fábio Py Murta de Almeida é professor de história da Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT).

Um comentário sobre “Opus-detetives versus autonomia universitária no Peru”

  1. Não é muito agradável ver tudo isto acontecendo por lá, mas faz parte da vida em suas fases.E esta ficará para história.Onde vc está sendo como canal para esses comentários, que são verdadeiros.É bom, que as pessoas vejam como tudo acontece a nossa volta.Continue Fábio, sendo iluminado por Deus e vc está de parabéns, por mais uma matéria escrita. PAZ

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