O sonho acabou no olhar subtraído
de quem heroicamente trabalhou.
As formas inertes daquele corpo caído
retratam o vazio do espaço em queda de quem está vivo.
As mãos dilaceradas da construção
são testemunhas da luta que se esvaziou
na derrota da própria solução.
Como paradoxo, na hora da morte
foi aposentado em definitivo,
como ferramenta sem corte, inútil.
O retrato social emoldurado
pela existência
se perpetua no filho,
que transmite ao filho,
a dor do vazio.
*andreschlederschleder@gmail.com
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