Onde nasceu o repente, o improviso, a cantoria…2

Anos 30 do século XIX
Num remoto recanto nordestino
Nasceriam Nicandro e Ugolino
Cuja história envaidece e nos comove
Quando o pinho dedilha seu acorde
E o verso se encontra com a harmonia
Nós pensamos: sem arte o que seria
Dessa vida da qual é o pivô?
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria

 

 

A poesia plantada nesta aldeia
Pelo velho Agostinho floresceu
Transformando o lugar em Ateneu
De poetas, artistas… quem vagueia
Pelas ruas louvando a lua cheia
E compondo um poema à revelia
Ou pintando uma tela que extasia
Com as paisagens que se vê do platô
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria

O poeta maior Zé Marcelino
Tinha um bar onde vinham cantadores
Do Sertão, Pajeú de tantas Flores
Seridó e andarilhos sem destino
Até mesmo um rameiro peregrino
Fosse seca ou período de invernia
O acorde ao poema se fundia
Feito um nó numa trama de tricô
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria

Este som de clarins que nos invade…
Também ouves, poeta Agostinho?
É a ATLA* que vem pelo caminho
Para enfim se tornar realidade
Preservar daqui pra posteridade
Cada letra ou arte que se cria
Dando a elas abrigo, moradia
Para o filho, o legado do avô
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria

Martim Assueros, 22/6/2024

 

*Academia Teixeirense de Letras e Artes – ATLA

Imagem: Nordeste: De repente é cordel / Samuel Quintans, Blogspot, 27/7/2013

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