Onde guardarmos os nossos preconceitos?

O assunto da semana depois da escolha do Papa também foi religioso, o pastor Marco Feliciano. Polêmico em dizer o que pensa sem medir as consequências. Nada impede que o pastor-político fale aquilo que pensa, afinal não somos obrigados a gostar de A ou B. Porém, cada um de nós deve refletir sobre aquilo que pensa e faz.
Há mais de dez anos, o IBASE (Instituto Brasileiro de Análise Social Econômica) lançou uma campanha chamada “Onde você guarda o seu racismo”?

A campanha do IBASE e a ação do pastor nos levam a refletir sobre outras manifestações preconceituosas guardadas lá no fundo de nossas mentes e corações. Sim, porque em se tratando de preconceito o Brasil, é suspeito. Não somos um povo isento de racismo e outras formas de preconceitos, mesmo aqueles que dizem não ter nenhum tipo de preconceito (incluindo o articulista) devem rever os seus conceitos. O Brasil nunca precisou criar leis explícitas para excluir determinados grupos historicamente colocados à margem da sociedade. Somente para lembrarmo-nos, existiu uma lei chamada lei da vadiagem, que foi criada no início do século para prender aqueles que não trabalhavam. Quem era a maioria que não tinha emprego no Brasil pós-abolição? Para um bom entendedor, não precisa dizer nada. O mesmo acontecia com a chamada defesa da honra, onde dava carta branca ao homem de matar suas mulheres. A lei Maria da Penha chegou em bom momento, para dar um basta à violência contra as mulheres.
As últimas eleições para presidência da República testemunham o lado machista da nossa sociedade, ao lançar na internet e outras mídias questionamentos da vida pessoal da atual presidente do Brasil. E todos negaram que sejam machistas.

Não podemos esquecer que a base de alicerce da formação social do Brasil é patriarcal, escravoata, e o debate em torno do preconceito em geral está sendo mal feito. Estamos mais preocupados em apontar quem é quem nesse processo, e não fazer uma auto-análise de si mesmo. Estamos no melhor momento para diminuir o que podemos chamar de câncer da humanidade. Gerações futuras serão as mais beneficiadas, levará anos mas foram abertas as portas para o diálogo. No mundo não há espaço para o racismo, a intolerância religiosa, o machismo e demais formas de preconceitos.
Atitudes como as do Deputado Marco Feliciano merecem todos os nossos desagravos, mas deixemos o tempo dar sua resposta. Enquanto isso, por que não fazemos um exame em nossas consciências e respondemos o título acima?
“Uma vez é o complemento da outra. Acabar com a escravidão não basta; é preciso destruir a obra da escravidão” _ Joaquim Nabuco_ Abolicionista.
Joaquim Nabuco foi feliz em citar a frase. A obra da escravidão ainda está muito viva e atual. Realmente a obra não foi destruída, persiste em nosso cotidiano, se manifesta de várias maneiras, seja em ações ou gestos. Nada é puro. Nada é isento. Todos erramos. Basta sermos fortes em assumirmos o preconceito.
(*) Fábio Nogueira é estudante de História da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro. E-mai: fabionogueira95@yahoo.com.br

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