Onde foi que nos perdemos?

Nesse época em que a pressa ultrapassou a serenidade
que o carro é mais importante que o abraço
que o olhar é filtrado por especialistas
que a inocência se vendeu por quase nada

Nesse época em que amar é investir no futuro
procurando dividendos sem olhar pro lado
que os amigos são contatos na tela fria de um dispositivo
e que sonhar é ineficaz e improdutivo

Eu queria mesmo era saber
onde foi que nos perdemos
e, principalmente,
onde estávamos mesmo?

5 comentários sobre “Onde foi que nos perdemos?”

  1. Há textos que não perdem atualidade. Ao contrário, a realidade os alcança. Permito-me crer que este poema pertence a esta categoria de escritos. Como qualquer texto, pode ser lido e será lido deste distintos pontos de vista. Julgo que o seu valor reside na sua capacidade para dizer muito com poucas palavras. Algo que será sempre valioso recordar.

  2. Pingback: Por um Brasil, em busca de saída sustentável: perguntas (des)concertantes

  3. Acho, Gustavo, que nos perdemos na própria encruzilhada que criamos. A encruzilhada do capitalismo, em seu patamar mais cruel: o neoliberalismo.

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