Ocupação da reitoria da UFRJ denuncia os cortes na educação

O corte de R$ 9 bilhões na educação, promovido pela política de ajuste fiscal do Governo Federal, e o projeto de ampliação da terceirização aumentaram a crise do sistema educacional brasileiro em 2015. Várias universidades públicas paralisaram suas atividades acadêmicas por falta de condições de trabalho devido aos problemas de infraestrutura, falta de pagamento de terceirizados e ameaça de término das verbas antes do fim do ano.

A situação não era diferente na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  A Qualitécnica, uma das empresas responsável pela limpeza da faculdade, está mergulhada em dívidas e processos trabalhistas e por isso não vinha pagando seus funcionários. Diante da falta de diálogo com o reitor da universidade, Carlos Levi, os estudantes decidiram em assembleia extraordinária pela ocupação da reitoria, exigindo o pagamento integral dos funcionários terceirizados e a ampliação da assistência estudantil.

Fonte: Facebook – Ocupa UFRJ. Autor Ribs

Durante a ocupação, as diferentes unidades da universidade foram fechadas, garantindo que os funcionários não voltassem a trabalhar sem receber salários. A mobilização dos estudantes fez com que o reitor marcasse uma sessão extraordinária do Conselho Universitário para discutir a construção de bandejões, pagamento de bolsas e melhoras na moradia estudantil. Também ficou combinado que as atividades acadêmicas só seriam normalizadas após o pagamento dos terceirizados.

Fonte: Facebook - Ocupa UFRJ
Fonte: Facebook – Ocupa UFRJ

 

Algumas das conquistas da mobilização dos estudantes foram a antecipação do pagamento das bolsas de assistência de setembro para julho; a realização de um censo para transferência dos moradores do alojamento para o bloco reformado; a participação dos moradores na elaboração da lista dos alimentos servidos no alojamento; a criação de uma comissão de professores, técnicos e estudantes para tratar de subsídios na alimentação dos campi do centro da cidade, que não possuem bandeijão e o compromisso de realizar pregões para a construção dos bandejões da Praia Vermelha e Xerém.

Com as vitórias alcançadas, a assembleia dos estudantes decidiu pelo fim da ocupação e pela criação de comissões em cada unidade para acompanhar a situação dos trabalhadores terceirizados. O objetivo dessas comissões será levantar dados sobre funcionários que ainda não receberam integralmente seus salários e tratar do caso na Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ).

A ocupação da reitoria da maior faculdade federal do país deixa claro que a luta contra as terceirizações e os cortes na educação só está no começo. Agora cabe aos estudantes garantir que os compromissos assumidos pelo reitor sejam cumpridos. Neste sentido, também cabe reafirmar os compromissos assumidos pela ocupação com os trabalhadores terceirizados: Cobrar o pagamento integral dos salários e benefícios, denunciar os assédios morais e as péssimas condições de trabalho, fortalecer a ATTUFRJ e exigir concurso público para todas as atividades dentro da universidade.

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Foto: ADUFRJ

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