O silêncio sobre a privataria tucana

O livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior é o sucesso do momento nas livrarias de todo o Brasil. A obra nos revela o que todo brasileiro bem informado já sabia, mas não entendia os bastidores das privatizações das empresas estatais, em especial as dos setores de mineração (Vale do Rio doce) e telecomunicações. Trata-se do maior assalto ao patrimônio público brasileiro. FHC e outros têm muito para explicar.
O estranho fica por parte da grande mídia, aquela de alcance nacional e detentora da verdade e liberdade de expressão conforme a vontade do patrão. Ela simplesmente vem ignorando o assunto como se nada estivesse acontecendo. Mantendo todo o silêncio.  Mais estranho ainda é que ela se apresenta tão preocupada com a ética e vive apontando os erros do governo. Não sabemos direito o porquê do silêncio. Não sabemos quem ganha com o silêncio. Sabemos quem perde: a verdade.
O grupo Gafe (Globo, Abril, Folha e Estadão), esta semana entrou em ação tímida. O imortal e jornalista Merval Pereira vomitou todo o seu veneno na Rádio CBN, desqualificando o livro e seu autor, mostrando-se um serrista de carteirinha. Ele disse que a leitura é uma armação do PT, e tem cunho político para poder perpetuar por mais tempo o partido no governo. José Serra, com sua consciência pesada, comparou o livro com lixo e a uma campanha fascista orquestrada pelo PT.
O sucesso do livro deve-se principalmente às mídias sociais, em especial os blogs de jornalistas comprometidos com a verdade e a democracia. Graças a esses blogs ou blogueiros “sujos”, como disse uma vez Serra, as vozes não foram silenciadas. Isso nos mostra como tem sido a participação dessa mídia alternativa, que as GAFES tem tanto medo. Ano passado, às vésperas das eleições presidenciais, fomos impedidos de cair em outra armadilha desses grupos dos impérios mídiaticos similar às ocorridas em 1989. O caso Bolinha Gate, quando  as feras da mídia vitimaram imediatamente  Serra como alvo de agressão de partidos aliados ao governo. Pura mentira. Uma vergonha para quem prega uma coisa e faz outra totalmente ao contrário.
O momento é propício para democratizar as leis de comunicações no Brasil. A grande imprensa a chama de censura, mas trata-se de quebra de monopólio. Quebrar o ciclo vicioso que manda e desmanda nesse país há séculos.  Entendemos no momento que a oposição política é franca, mas isto não quer dizer que a grande mídia deva tomar seu lugar até porque não lhe é de direito. Se não bastasse os vinte anos de ditadura militar arcaica e atrasada que custou o nosso desenvolvimento intelectual e educacional, deixando a população totalmente alienada, sem rumo e ideologia, agora vem esses poderosos da mídia querendo nos manipular algo sempre mal explicado, como no caso das privatizações . Que imprensa é essa? Tem como confiar nela?
Cabe a nós colocar essa mídia contra a parede (não é censura) para que ela diga o que quer do país e de nós. De forma alguma queremos a volta da censura, e tampouco uma mídia maliciosa. Queremos uma imprensa plural e verdadeira. E o livro de Amaury Ribeiro Júnior possibilitou uma outra maneira de olhar a mídia e suas estratégias. Que venham outros livros para investigar a mídia.
(*) Fabio Nogueira é coordenador de curso pré vestibular comunitário e militante da Educafro.

3 comentários sobre “O silêncio sobre a privataria tucana”

  1. Belo texto, o Livro do Amaury a CPI pode acabar em Pizza, sim mais temos que mesmo é mudar o sistema da Comunicação Brasileira, ou seja como no texto esta “Cabe a nós colocar essa mídia contra a parede (não é censura) para que ela diga o que quer do país e de nós. De forma alguma queremos a volta da censura, e tampouco uma mídia maliciosa. Queremos uma imprensa plural e verdadeira”

  2. É isso aí. Apoiado. Precisamos movimentar a internet e também a sociedade toda. Está na hora dos movimentos sociais exigirem transparência não só do governo, mas dos meios de comunicação. Está na hora dos sindicatos, dos movimentos estudantis, das associações, dos pequenos meios de comunicação se unirem, e protestarem. Nem que o Brasil tenha que parar durante alguns dias para que seja declarada a sua independência verdadeira.
    Parabéns pelo post.

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