O sentido da ação

raízesHoje estive pensando em algo que Max Weber dissera acerca do sentido da ação. Lembro que ele disse que o sentido da ação não pode ser descoberto pela pesquisa mais minuciosa, porque o sentido da ação é dado, e não encontrado. Ou seja: não existem sentidos objetivos para a ação, e sim sentidos que nós atribuímos a ela.

Muitas vezes tenho me perguntado, e ainda me pergunto, qual é o sentido de fazer o que faço. Qual é o sentido de estar vivo aqui, hoje, fazendo o que faço. Escrevendo, perguntando pelo sentido, partilhando com você estas indagações. Este perguntar é muito sadio, porque se sabemos que somos nós que damos sentido a nossa ação, isto nos faz responsáveis.

Sou eu mesmo quem decide que sentido tem isto que faço, isto que estou fazendo. Por que dedicar tempo a escrever, a perguntar, a partilhar com outras pessoas estas indagações? Que utilidade poderia ter isto, que utilidade tem, de fato? Um efeito salutar imediato, ou quase imediato, é um alívio.

É como se de repente a gente se livrasse de todos os “deve”, de todos os “deveria”, e simplesmente se permitisse estar aqui, desfrutar do fato de estar vivo, indagando, perguntando. Eu posso até escolher alguns deveres e assumí-los como próprios, algo que dê sentido à minha vida. Mas é uma escolha minha.

Eu não posso supor que outras pessoas darão sentido às suas vidas assumindo escolhas como as minhas. Isto não acontece. Para outras pessoas, escrever ou indagar pelo sentido da vida pode não fazer qualquer sentido. E também pode não fazer sentido partilhar estas inquietações. Mas para mim faz.

Porque nesta partilha, em toda partilha, se abre uma brecha, uma porta se abre. Algo se comunica de lado a lado. Se desfaz o isolamento. E a comunicação sempre tem algo de expansivo. Agora estou um pouco além de mim mesmo. Este além pode ser muito vasto e enriquecedor, mas pode ser também extremamente perturbador e doloroso, como quando tomo contato com realidades humanas degradantes, vís, baixas. Isso é humano também, mas machuca.

Posso escolher, aliás, sou levado a escolher, dar um sentido ao meu contato com a dor. Isto não é uma operação meramente intelectual, e sim vivencial, integral. Ao lembrar de situações dolorosas que vivi no passado, percebo que tive forças para vencer, para seguir adiante. Isto me da uma alegria interior, fortalece a minha auto-estima positiva, me conecta com os demais.

Porque todas as pessoas atravessaram ou atravessam situações dolorosas. E o que é que estas e outras indagações sobre o sentido da ação podem nos trazer como fruto? Posso me perguntar, como nos perguntamos no contexto da Terapia Comunitária Integrativa e nos cursos de Cuidando do Cuidador: como o que faço hoje se enraíza na minha história de vida?

Esta é uma pergunta que nos remete ao enraizamento da nossa experiência, à unidade da nossa caminhada vital. Eu posso me permitir ver o meu dia de hoje, meu instante de agora, na integração total da minha existência. De fato, o meu agora, este instante, este ato, este fato, é uma união com tudo que existiu na minha vida. Perceber isto pode nos trazer uma paz muito grande. Saberemos então que todo o que fazemos, o que somos, é uma parte de uma totalidade, e isto é muito reconfortante.

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