O ódio das redes sociais

fabio nogueiraAs redes sociais vieram para ficar e parece que o mundo cabe na palma da mão. A internet junta a outras ferramentas nos deu a oportunidade de sermos mais criativos, tornando as relações sociais mais próximas umas das outras e isto é magnífico.
O território é livre. Abre leques para debates desde os mais construtivos ao mais surreais. De repente, do dia pra noite, podemos ser conhecidos nos lugares mais longínquos deste vasto mundo. Em resumo: Viva as redes sociais!
Por outro lado, as redes vieram acompanhadas de outros fenômenos nada agradáveis para quem pensa ser criativo: o ódio.
A cada fato de morte ou tragédia, as redes sociais se enchem de comentários insanos que põem em dúvida a capacidade de chamar o ser humano de racional. Chego a perguntar se somos dotados da razão e sensibilidade, que nos remete a ganhar a categoria que nos é conferida.
Na semana passada, um jovem filho de uma cantora de Funk morreu num tiroteio. Segundo a polícia militar, o rapaz morreu no confronto com a instituição. Quero deixar claro, que não vou entrar no mérito se o filho da cantora era ou não meliante. Não cabe a mim comentar o assunto, pois é responsabilidade da justiça e eu não sou juiz.
Não resta dúvida que a perda de um filho é o pior desastre para qualquer família, e em especial a mãe . O filho pode ser quem for, não importando se é para esta mãe um fora da lei ou não. É UM FILHO E PRONTO! O comentário recebido por esta mãe só não é semelhante à morte do filho, mas as palavras de ódio sempre serão a segunda morte: a morte simbólica da mãe.
A maioria não quis saber da dor desta mãe. A mãe poderia ser a minha ou tua. O filho poderia ser bandido ou não. Foi a mãe que gerou, carregou por nove meses, o amamentou e o acalentou. O único trabalho que o homem tem é penetrar sua genitália na parte íntima da mãe e difundir o sêmen, só. Eu e os demais homens nunca saberemos as dores do parto e a delícia de amamentar uma criança. No último texto, disse que estamos contrariando a lógica da natureza, as mães estão enterrando seus filhos. Não sei até quando assistiremos esses episódios .
O que me deixa em parafuso é saber que somos o país mais religioso do mundo, e numa recente pesquisa 70% dos entrevistados foram a favor da justiça com as próprias mãos. Para quem é ateu, não vejo lógica para então termos tanto ódio assim.
Esquecemos que as redes sociais abriram as portas para as bestas humanas digitais, que estão no outro lado da tela. Do outro lado da tela, somos os donos da verdade e falamos o que bem entender não importando o sentimento do outro. Esquecem que a próxima vítima pode ser os filhos de qualquer internauta. Nunca saberemos o dia do amanhã.
Há um trecho da música do compositor Chico Buarque chamado Pedaço de mim, no qual um dos refrões diz que o pior castigo para uma mãe é arrumar o quarto do filho que morreu.
Respeitamos o luto e a dor dessa e outras mães que perderam seus filhos, por mais que ele fosse errado. São chagas abertas que nunca cicatrizarão os corações das mães.

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